sexta-feira, 13 de junho de 2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Nova temporada

O Beta não acabou, nem foi abandonado!

Sua nova temporada está sendo preparada para estrear dia 01/07, então fiquem de olho e relembrem nos capítulos passados a saga de Master Hunter e os Caçadores do Medo tentando evitar o apocalipse!



O QUE ACONTECEU COM MASTER HUNTER?

sexta-feira, 14 de março de 2014

# HOME 17: Da água para o vinho

Voltei a minha casa. Na verdade poucos instantes antes da policia vir me buscar para o primeiro interrogatório de verdade. Me mantive calmo, precisava conseguir a parte mais importante: voltar as atenções ao Jeff.
Fui colocado numa pequena sala e lá passei cerca de 30 minutos até aquela linda encenação de policial bom e policial mal começar. Eles estavam fazendo o que podiam, mas eu não tinha muito pra falar. Quando viram que não iam conseguir arrancar a confissão tão desejada de que eu tinha feito tudo aquilo, tentaram o mais sensato: “Você sabem quem poderia ter feito isso?”.
Finalmente comecei a falar: “A pessoa de quem vocês estão atrás se chama Jeff, o assassino. Ele está bem famoso e tem feito vítimas constantemente. Tentou me atacar uma vez, mas não conseguiu seu objetivo e creio que teve sua vingança em minha família.”, antes que tivessem a chance de pensar, joguei minha isca ”creio que o recado que ele deixou na parede está bem claro. Ele vai voltar pra terminar o serviço dele em mim.”.
Eles se entreolharam e decidiram ingenuamente morder minha isca. Decidiram me usar como isca para atrair o Jeff. Deixei eles estudarem alguns padrões dos lugares onde achariam o Jeff e voltei para casa. A perseguição começaria de madrugada e meu corpo já estava desacostumado. De repente a campainha toca. Corro pois poderia ser um dos caçadores. Abri a porta, eram Jesse e Dave, me chamando para sair e esquecer os problemas. Falei para irem embora pois a situação estava perigosa ao meu redor, mas eles não tinham noção do perigo que corriam e me arrastaram para fora de casa. Isso me fez lembrar que a memória deles não estava normal. Eles não se recordavam do incidente do Slender na floresta durante a aula de campo.
Caminhamos e terminamos chegando numa estação de trem desativada da cidade. Lá sentamos e eles vieram falar coisas boas sobre eu melhorar. Para ser sincero não prestei atenção em nada. Meus ouvidos estavam atentos a ruídos externos. Subitamente abracei Jesse e rapidamente sussurrei em seu ouvido: “Jesse, quando eu me levantar corra o mais rápido que puder para a cidade e leve o Dave com você, não faça perguntas, apenas corra e ligue para a polícia.”. Me afastei dela e falei para Dave que ele deveria ir dar um abraço melhor que o meu em Jesse, ingenuamente ele foi se levantando e se dirigindo a ela. Nesse momento levantei e gritei: “Seu alvo sou eu, então não vá desperdiçar meu tempo. De relance já via Jesse e Dave correndo, mas ele estava mais rápido, ou eu mais lento. Rapidamente fui chutado plataforma abaixo e o vi correr atrás de meus amigos.
Levantei meio desnorteado com o susto, mas logo comecei a correr atrás deles. Tudo ia bem até que Dave tropeçou e caiu no chão facilitando tudo para o Jeff. Vi a expressão de pavor de Dave ao se deparar com aquela face maligna. Pude ver Jeff levantando sua mão a altura da boca para proferir suas famosas palavras.
Nesse momento algo aconteceu e tudo ficou numa velocidade extremamente lenta, quase como parados. Via a face de dor de Dave, o desespero e as lagrimas de Jesse em saber que seria a próxima e o pior de tudo, me via incapaz de poder fazer algo. Senti aquela sensação de impotência se tornar um queimar em meu peito e se espalhar para todo meu corpo. A sensação era estranha, podia ver a velocidade das coisas voltando ao normal, mas meu corpo estava cada vez mais perto de Jeff antes que ele terminasse seu movimento. Sem controle daquele movimento consegui esbarrar nele atirando-o alguns poucos metros. Sem entender o que havia acontecido Jesse tomou a mão de Dave e o levou para longe.
Olhei para Jeff se levantando com seu sorriso de sempre e o provoquei: “E aí, vamo ver quem dorme primeiro?”.
Iniciou-se nossa luta.
Golpes eram desferidos com velocidade e meu corpo não tinha tempo para contra-atacar, apenas desviar. Jeff atacava com seu máximo potencial e eu estava apenas correndo dele. Em certo momento devido ao barulho das viaturas, Jeff perdeu sua atenção. Tempo suficiente para eu virar o jogo. Consegui desarmar ele rapidamente e nossa briga se igualou.
Chutes e socos eram impulsionados de forma rápida e constante de um para o outro e mesmo nos acertando não parávamos. Esqueci que meu corpo ainda era humano e continuei com aquela luta intensa. Aos poucos fui falhando novamente, estava cansado e Jeff se mantinha no mesmo ritmo. Dores começaram a aparecer em meu corpo e me sentia pesado. Sem perceber Jeff tinha nos conduzido para perto de onde sua faca estava. Ele rapidamente me afastou e a pegou de volta. Ainda acertei um soco em sua face, mas já não tinha tanta força, então recebi a primeira facada que com minha defesa atingiu meu braço. Para tirar a faca, Jeff usou meu corpo de impulso e me chutou ao chão.
Aquele chiado começou em meu ouvido. Quando Jeff se preparou para acabar comigo, olhou em minha direção e sua feição mudou. Ele parecia assustado. Novamente ele fugiu. Olhei para trás para ver a figura do Slender Man próxima a mim. Desmaiei.

Acordo em um quarto com algumas pessoas mascaradas me olhando.

“Bem-vindo a casa irmão!”.

segunda-feira, 3 de março de 2014

# HOME 16: Início do Fim

Toda a equipe estava reunida, todos estávamos prontos para fazer o que fosse necessário para acabar com a ameaça iminente, mesmo sem saber até que ponto tudo aquilo chegaria.
Planejamos, eu me fingiria de suspeito e faria a policia me levar até um possível lugar onde o Jeff estivesse, lá eu faria o resto. Ou melhor, Guurg o faria. Nessa altura já havia uma discussão entre nós 2. Ele pode ter sido ferido pelo Jeff, mas no meu caso foi a morte de toda a minha família. Ele parecia não tentar entender o que eu falava e em certos momentos parecia até obcecado.
Precisava fazer algo para resolver aquilo. Disse a Guurg que ele poderia ajudar, mas que a decisão final era minha. Em poucos minutos todo o clima amistoso se transformara em rivalidade. Ele rapidamente saiu do novo esconderijo e desapareceu. Os outros me olhavam questionadores sobre meu próximo passo. Não tinha muito tempo a perder.
Perguntei a Dark o porque da mudança repentina de base. Logo fui avisado que eles também foram expulsos da Fundação e que algo estranho estava acontecendo. Pelo visto o Caçadores do Medo era um grupo independente agora. Pedi a Dark para que levantasse o máximo de material sobre o Jeff, quando uma das telas emitiu um alerta, era uma reportagem de televisão:
“Estranhos eventos estão acontecendo mundialmente, incêndios sem explicação, tornados, trovões sem nuvens e outros fenomenos naturais estão perturbando a vida de milhões de pessoas e colocando várias vidas em risco...”
Rapidamente outra tela entrou em alerta, outro jornal:
“Em menos de um ano já foram mais de 10 os hospícios que foram invadidos, e as equipes se negam a falar sobre os ocorridos...”
Dark bateu com as mãos sobre a mesa: “Como ninguém percebeu? Tão na cara e ninguém se tocou da gravidade.” Tentando entender, perguntei do que se tratava.
“Os Holders, Master, uma até então lenda, objetos espalhados em vários hospícios, que quando unidos invocam um mal indescritível. Alguém está tentando reunir os objetos.”.
Agora sim, tínhamos um problema bem maior para resolver. O primeiro passo era me resolver com o Jeff. Depois resgatar os objetos. Tudo deve correr bem, eu acho.

Esse era meu pensamento, mesmo que no fundo eu soubesse que aquele era o ponto inicial do fim de tudo.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

# HOME 15: Reinício

Entrei em estado de choque.
Não era possível. Depois daquele reset mental. De achar que tudo estava começando de novo. Que tinha chance de ter uma vida.
Não consegui conter um grito que acordou a vizinhança toda.
Logo a polícia e repórteres já tinham chegado ao local e a confusão já estava instaurada. Óbvio que pelo meu histórico de ter passado pelo Burnhills, a culpa cairia direto em mim. Só mais um louco que matou sua família.
Enquanto a polícia seguia com a pericia eu estava no meu quarto. Sem rumo. Sem ideia do que fazer. Dessa vez sem nem ter para onde ir. Olhava para a maleta que estava debaixo da cama. Nada mais fazia sentido. Viver não fazia sentido. Era hora de dar um fim aquilo. A porta se abriu e o delegado entrou me chamando. Teria que ir a delegacia dar depoimento.
Como já imaginado fui acusado das mortes. Após uma dura rodada de perguntas fui liberado e pude voltar para casa. Que casa? Não havia mais lugar para mim. Decidi ir ao meu esconderijo na floresta e morrer lá.
Passei pela casa e peguei a maleta. Logo sumi na floresta. Deitei no chão de folhas e logo pensei o melhor jeito de sumir. Logo meus pensamentos foram interrompidos por barulhos nos arbustos. Pensei em ficar alerta para me defender, mas logo pensei que poderia poupar esforços se alguém o fizesse por mim. Não me movi.
“Que bela recepção, Master!” disse aquela voz rouca e familiar.
Logo me levantei assustado. Daquela escuridão surgiu aquela miragem. Dark e Night estavam ali na minha frente. Perguntei se eles vieram me levar para a Fundação.
“Não! Na verdade estamos na mesma situação que você! Mas quero mostrar um lugar especial.” Falou Dark sem perder seu tom animado.
Era numa parte mais afastada da floresta. Na verdade era um ponto cego onde absolutamente ninguém acharia ou chegaria lá. Um alçapão no chão coberto de folhas era a entrada. Dentro após uma escadaria, tinha um imenso salão, com equipamentos.
“É incrível como essas sucatas que jogam fora podem ser recicladas!” disse Dark em tom sarcástico.
Todos esboçamos sorrisos. O meu não durou muito. Querendo ou não, vendo rostos familiares, minha família havia sido morta horas atrás. Me isolei em um ponto de lá.
Espera. Eu não tinha me tocado do principal. Aquelas mortes. Jeff o Assassino estava na cidade e não iria embora até me matar.
Todos estavam com cara de preocupação com o que fazer da vida. Logo disse: “ tenho um plano e preciso da ajuda de todos vocês!”.
O que eu tinha em mente?

Com ou sem poderes o Jeff era meu dessa vez!



“Nada de caçar minha presa, rapaz!” outra voz familiar surgiu no salão.


Guurg surgia em minha frente, com seu sorriso de quem estava preparado para encarar seu pesadelo pessoal.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

# HOME 14: Reset

Não podia ser verdade aquilo. Ia começar nesse momento? Com certeza tinha sido o momento que o sensor tinha sido posto em mim. Só podia!
O que fazer?
Gritei para as pessoas correrem o mais rápido que pudessem e eu fiz o mesmo. De relance pude ver que o professor estava paralisado com uma cara de espanto, surpresa e alegria ao mesmo tempo. A essa altura do campeonato o Slender já estava a cerca de 30 metros do professor. Gritei para ele correr logo e sair dali, mas além dele não se mover quem se virou para mim foi o Slender.
Orion, Master Hunter, seja lá quem eu fosse, precisava agir e rápido. Respirei fundo e iniciei minha investida contra ele. Corri com todas as forças que me eram concedidas pela velha capacidade de meu corpo. Dei um grito em direção a ele. Acho que no fundo esperava que a interferência aparecesse naquele momento. Ele se virou para mim. Me lancei num salto e logo fui alcançado ainda no ar por um de seus tentáculos. Podia ver muitos já caídos ao chão, tentando se erguer com sangramentos, outros já desmaiados. O professor já estava inconsciente nesse momento. Éramos só nós dois. Mas pelo visto não duraria muito.
Encarei seu “rosto” por alguns segundos e senti aquele chiado aumentando em meu ouvido. Era meu fim. Era o fim para todos.


Acordo.
Me sinto desnorteado, mas me levanto. Algo estranho aconteceu. Está de noite. Estou com a mesma roupa surrada do dia do grande encontro. A marca de sangue está recente, úmida. Não era possível. Toda a minha aventura. Tudo que eu havia me tornado. Foi tudo uma ilusão, uma alucinação da minha cabeça em resposta ao medo e a pancada. Me sentia apenas normal. Um pouco frustrado em pensar que tudo foi tão real, mas também pensar que minha imaginação tinha se superado dessa vez.
Me sento no chão, choro um  pouco de alívio e decido voltar para casa. Vou tirar minha prova agora, decidi mudar minha rota para o Burnhills. Será que Anna existia e se sim, se estava lá? Chego e sou muito bem recebido. Ninguém age como se eu tivesse sido paciente de lá. Pergunto por Anna. Eles dizem que vão me levar até onde ela está. Ela existe, pode ser um bom sinal.
No caminho até o quarto, pergunto sobre ela como um conhecido. Eles comentam que o caso foi a televisão, o caso da garota gênio que havia sido internada por seus pais. Era isso! Eu não tinha criado ela. Em algum ponto do meu subconsciente eu havia armazenado a noticia que tinha sido transmitida pela TV.
Entrei no quarto e a olhei. Era ela mesmo. Encarei-a com um olhar de “se ela soubesse o que passou na minha cabeça”. Ela não abre a boca um momento nem olha para mim. Os enfermeiros não saiam do quarto, como numa escolta. Passei cerca de 5 minutos a olhando e logo eles disseram que o tempo da visita já havia se esgotado. Um deles abriu a porta e pôs a mão sobre meu ombro. Resolvi arriscar.
“Anna, lembra de mim?”
Lentamente sua cabeça se ergueu, um olhar apático me encarou. E tudo realmente era minha imaginação. Me virei de costas e caminhei para fora. Acompanhei o movimento da porta fechando e aquele olhar morto me seguindo. Nos últimos 5cm de porta aberta veio o sinal. Uma rápida piscada de olho, seguida da mordida de lábios que ela sempre me dava quando sabia que eu precisava dela.
Aquilo definitivamente não tinha passado na TV. De qualquer forma precisava voltar para casa. Me apressei em chegar logo e reencontrar minha família. Contar a eles toda a loucura que meus sonhos me deram.
Chego em casa e abro a porta. Chamo por eles mas não houve resposta, acho que saíram.
Chego na sala de jantar para encontrar a pior cena da minha vida.
Toda minha família estava morta. Todos com cortes pelos corpos espalhados. Cada um em sua cadeira de jantar habitual.
Na parede escrito com o sangue havia:


“Agora só falta você ir dormir!”

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

# HOME 13: Loop 2

Eu não sabia ao certo que cara fazer para toda a turma. Realmente a cara que eu tenha feito despertou curiosidade em todos, principalmente no professor. No fim das contas todos tentavam entender o porque da minha reação. Apenas cortei o assunto e fui embora para casa.
Por pior que parecesse a decisão, era a única que eu tinha. Contar a meus pais para onde iria. Minha mãe, nervosa, começou a falar um monte de coisas me fazendo sentir arrependimento instantâneo de ter aberto a boca. Me tranquei no meu quarto. O que eu estava sentindo. Não sei ao certo. Talvez medo de tudo começar de novo. Ter de abandonar minha casa, minha “normalidade”. Talvez medo de ser morto ou ver as pessoas com que me importava sendo machucadas. Ou talvez o pior de tudo, encarar o Slender Man naquele estado vulnerável.
Do nada uma voz surgiu na minha mente: “Não se esqueça, você pode não lembrar do sobrenatural, mas ele ainda existe. E uma vez que você faça parte dele, não há mais saída.”. Espere, eu conhecia essa voz, de longa data. Era a voz de Landaw. Obrigado velha amiga. Agora eu sabia o que tinha que fazer. Fui atrás do professor para uma reunião e lá ele me mostrou a ferramenta do destino. Um sensor que se acoplava a cabeça como uma tiara que ampliava as ondas cerebrais. O objetivo era criar alguma relação mental com animais ou qualquer coisa desse tipo. Era um trabalho experimental e que com certeza daria problema, principalmente se minhas ondas fossem ampliadas. Tratei de avisar ao professor que não podia usar o equipamento devido a um problema de saúde. Ele estranhou mas consentiu, confirmando que ao menos eu estaria na excursão. Confirmei com um gesto de cabeça e logo saí de lá.
Precisava colocar minhas ideias no lugar, armar estratégias de fuga, para salvar o máximo de pessoas que desse. Nossa, aqui estou eu como tudo começou, me sentindo um guerrilheiro numa guerra que minha chance única era perder. Mesmo assim não podia desistir, não agora que sabia que cedo ou tarde essa realidade voltaria para mim. O pior era não poder contar tudo de incrível que eu vivera, ou até mesmo contar tudo que poderia vir a acontecer.
Chegou o dia da excursão.
Minha mente já estava pronta. 2 dias antes só para garantir já tinha treinado meu corpo no esconderijo da floresta, como esperado Night já não estava lá. Mas era o único caminho para mim. Chegamos ao parque e todos estavam empolgados. Eu me esforçava para demonstrar o mesmo, pelo menos externamente. Chegamos a um ponto da floresta em que a copa das árvores fechava 70% da luminosidade do local. Era como um labirinto de arvores com algumas clareiras espalhadas. Andamos e logo lágrimas caíram por minha face.
Era ali.
O pequeno penhasco do terrível primeiro encontro. Um filme passou na minha cabeça. Quando me apercebi o erro havia sido cometido. Os rapazes sem entender, tentaram me animar e fizeram o favor de me segurar e prender um dos sensores a minha cabeça e aumentar a frequência dele ao máximo.
Nada aconteceu, nem um som saiu. Era como se meu corpo não tivesse frequência elétrica nenhuma. Estranho, mas nada aconteceu então já está ótimo. Eles retiraram o sensor e me soltaram. Com certeza não seria agora que o sobrenatural não retornaria a mim! Me aproximei do penhasco e arrisquei um olhar para baixo. Pude ver uma pequena marca de sangue da minha queda.

Estava tudo bem, já havia acabado! Esse era meu pensamento, até o mesmo ser interrompido pela gritaria atrás de mim. Pude me virar a tempo de ver a 60 metros do grupo o homem sem face com seu terno preto.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

# HOME 12: Loop

Assim seguiram minhas primeiras noites. Treinamento intensivo. O garoto chamado Night era bem esforçado e seguia os protocolos, além de aparentar certo nervosismo perto de mim. Embora eu fosse uma pessoa normal agora, tratei de reduzir meu nível para acompanhar o garoto.
E durante os dias minha vida estava passando de algo desconfortável a uma rotina. Acordava cedo para dar uma corrida. Durante o dia procurava algum trabalho local e a noite retornava para ser questionado quanto a minha sanidade mental.
Aos poucos me pegava distante de tudo aquilo que eu fui na SCP. Era só mais uma pessoa comum agora. Meus dias estavam ocupados. Com 1 mês de volta em casa, já havia arrumado um trabalho como biólogo novamente. Havia sido contratado para ser auxiliar de um professor que estava estudando a fisiologia do cérebro humano. O estranho é que esse foi o único trabalho que eu não fui atrás.
Fui apresentado ao professor responsável e ele parecia uma pessoa tranquila. Eu o acompanhava em suas aulas e em estudos de laboratório. Muitos apareceram para absorver meu conhecimento, outros para iniciar uma amizade, estava rodeado de pessoas e ainda assim só. Eu era algo único em meio a todas elas. Ou não? Será que apenas as lembranças ficariam e eu deveria me acostumar aquela rotina. As coisas estavam em tal ponto que logo passei a não aparecer nos treinos noturnos. Passava meu tempo em casa estudando ou até mesmo saindo com a turma de alunos. O engraçado é que antes da SCP eu nem era assim, mas tudo que passei me deu certa confiança para assumir uma personalidade firme.
Certa noite estávamos em um grupo andando pela praça da cidade, quando pude perceber em um ponto cego, Night me encarando. Já estava determinado a ficar com aquela vida, então pedi licença ao pessoal e me dirigi a floresta. Night tentou brigar comigo, me chamando de irresponsável, mas eu já não me considerava parte daquele mundo, então fui dando as costas para ele e saindo.
Ele frustrado e nervoso com a informação que terminaria levando a base, tentou me impedir, puxando a minha camisa. Péssima decisão. Eu podia não ter mais minhas interferências, mas as habilidades permaneciam. Desferi um soco direto em sua face fazendo ele cair ao chão, após tropeçar num galho no chão.
Mandei o garoto sumir da minha frente e por alguns momentos me lembrei como era ser o Master Hunter com a interferência. A cara que o garoto fez lembrou muito a olhar de Guurg no primeiro encontro...
Pedi para que ele fosse embora e ele foi. Retornei ao grupo e despistei minha saída.
Em pouco tempo eu era alguém normal. Minha família estava me tratando bem, tinha meu trabalho e minhas atividades. Em pouco tempo eu era Orion, mais um cara comum. E não era só pelas minhas atividades, mas minha mente também estava mudando.

Alguns meses se passaram e as pesquisas do Professor iam muito bem. Eu já estava bem enturmado e passava meus dias estudando. Até que foi anunciado uma excursão da qual teria que participar. Iríamos visitar uma reserva florestal. A mesma onde tudo havia começado.

sábado, 11 de janeiro de 2014

# HOME 11: A Noite

Casa.
Quanto tempo eu não ouvia essa palavra.
Será que aquele lugar ainda seria minha casa?
Aquelas pessoas ainda seriam minha família?
Quem sou eu agora? O Agente Master Hunter ou um rapaz comum?
Sem muito tempo para pensar, rapidamente minhas malas estavam prontas. Na verdade a mala era a mesma que havia ido comigo até o Hospício Burnhills onde estive internado. Estava intacta. As únicas roupas que eu tinha usado desde que tinha chegado aqui eram umas roupas brancas e meu uniforme de caça.
Perguntei a Dark que estava no quarto qual a desculpa que seria usada para eu voltar para casa. Ele mencionou algo como eu estar reabilitado para a sociedade. Na verdade por mais que eu fizesse perguntas, não conseguia prestar atenção em resposta alguma. Seria aquele meu fim? Uma pessoa comum? Dark tocou meu ombro e fez sinal para que fossemos em direção a entrada da fundação.
Na porta estava Guurg, finalmente eu o via de novo, mas ele não fez recepção positiva para mim. Estava apertando a mão de todos que se encontravam ali e ao chegar nele o aperto foi forte e discretamente acompanhado de um bilhete pequeno escondido. Tratei de jogá-lo rapidamente no bolso e seguir em frente. O próximo era o Diretor, fez uma despedida dramaticamente sarcástica e logo me apontou a porta. O ultimo da fila era Dark. Não tive um mínimo de tempo para criar um vinculo com ele, mas ele parecia me conhecer há anos. Estendi minha mão para ele e fui devolvido com um abraço. Ele rapidamente sussurrou em meu ouvido: “Não se preocupe com nada nesse tempo, a Noite estará de olho em você!”.
E lá ia eu entrando no carro. Voltando ao que um dia eu chamei vida. Hoje me parece mais um castigo. Tentei puxar conversa com o motorista, mas não houve resposta. Decidi dormir um pouco.
Acordei algumas horas depois. Já estava reconhecendo aquele lugar. Era meu bairro. As casas, os rostos, tudo parecia reaparecer em minha mente como um flash. Paramos em frente a minha casa. O motorista mandou descer rápido e assim o fiz. Rapidamente ele deu a volta com o carro e deu uma buzinada antes de dar partida no carro e logo sumir no fim da rua.
Ali estava eu parado diante do lugar que chamei um dia lar, sem ter ideia absoluta do que fazer. Meus pensamentos mais uma vez foram interrompidos pelo grito da minha mãe: “Ele chegou!” ela dizia enquanto me abraçava e chamava as outras pessoas da casa para me receber.
Fomos entrando e havia um lindo jantar para mim me aguardando. Pedi licença antes da refeição para ir ao meu quarto. Coloquei a mala sobre a cama e a abri. Algo estava errado. Por que minha farda de caçador e meus óculos estavam ali se eu não os coloquei? Só podia ser obra do Dark. Talvez um presente, uma lembrança, memória. Meu quarto estava da mesma forma que o havia deixado. De repente estava me sentindo em casa. Ouvi minha mãe chamando para jantar. De repente lembrei que tinha um nome. Para não ser identificado vou usar Orion como meu nome fictício.
Desci, sentei a mesa e começamos a comer. O silencio reinava e a única coisa que podia perceber era a troca de olhares entre meu pai, minha mãe e meu irmão. Do nada começaram as perguntas do gênero: Como foi sua estadia na clinica?
Eles usaram o termo clínica para não quebrar qualquer chance que tivessem de manter algum contato comigo. Minha vontade era dizer tudo que passei na SCP, mas além de entregar um segredo de Estado, estaria garantindo minha volta a Burnhills. Me detive a responder “normal, remédios, gente louca e só.”. Todos se calaram. Terminei minha refeição e disse que iria dar uma volta pela praça e depois voltaria.
Pus uma calça, um casaco e um tênis e logo saí. Fui andando com meu andar de caçador, acelerado, silencioso, e pude perceber olhares para mim. Vamos Orion, pareça normal, pensei. Desacelerei e continuei, sempre com a sensação de estar sendo observado. Cheguei a praça, tinha um pequeno playground e uma floresta. Lembrei que costumava ter um lugar secreto naquela floresta para praticar e condicionar meu corpo. Fui ao tal lugar. Ufa, estava lá ainda e a sensação estava lá também.
Não sabia se era amigo ou inimigo, então arrisquei. Não tinha minha interferência, mas ainda tinha um bom ouvido. Fechei os olhos e ouvi as folhas balançando e batendo. Espere, havia um som que não batia com os outros. Em poucos segundos o som se aproximou na minha lateral. Meu instinto me jogou em um pequeno passo para trás e logo avancei a mão para afastar seja lá o que fosse. Era uma tora de madeira amarrada num galho por uma corda.
Logo ouvi uma voz: “Então você é o Master Hunter, certo?”. Um rapaz jovem saiu de trás de um arbusto e logo se identificou:
“Sou o Night Hunter e estou aqui para fazer sua segurança secreta e dar um treinamento para você não perder seu desempenho.”.

Night Hunter! Noite! Dark Hunter, seu esperto, ainda vou te agradecer por isso ao vivo!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O Paradoxo do Caçador parte final

Não demorou muito o procedimento cirúrgico do Dood, afinal nem precisou de anestesias. No meu caso foi um pouco mais complicado devido a grande perda de sangue. Acordei algum tempo depois e vi uma face familiar próxima a mim. Era Dood, só que parecendo gente desse vez! Ele chegou perto e me agradeceu pelo rim, do seu jeito bem cientifico e em seguida se retirou do quarto. Parei para pensar, na luta com Eyeless Jack em momento algum eu usei a interferência nem nenhuma outra habilidade da doença. Isso era estranho. Aquela habilidade era minha única chance de fazer algo em uma luta e dessa vez nem me lembrei dela.
Meus pensamentos foram interrompidos com a entrada de Dark no quarto. Ele parecia sempre empolgado e com respostas para tudo. Conversamos um pouco sobre algum assunto qualquer, e tudo estava indo até bem demais, até que as luzes vermelhas se acenderam. Algo estava acontecendo. Num impulso rápido me levantei da cama para ver o que estava acontecendo e mais rápido que eu tinha sido Dark em me segurar para não fugir.
Ele falou que eu não devia me esforçar, mas consegui convencê-lo a me levar até a confusão. Qual não foi minha surpresa em achar Dood envolvido no meio dos gritos, ao que me lembro ele parecia tentar abrir algum SCP perigoso. Pedi para falar com ele e em novo tom ele me respondia:
“Dood, que tá acontecendo?” perguntei.
“Calado, agora eu posso fazer tudo que eu quero e vou encerrar essa organização de uma vez, você não tem condições de me impedir!” respondeu prontamente. Aquele era o real Dood.
“Olha aqui, tem um pedaço meu em você e não quero que ele seja envolvido nas suas obras malignas!” Eu sei, a frase foi péssima, mas pra um cara que havia perdido sangue, foi o melhor que saiu.
Por pior que fosse a situação, todos esboçaram um sorriso.
“Parece que você tem um método bem diferente de conseguir as coisas agente Hunter!” Dood respondeu. Ele podia ser o pior de todos, mas sua característica chave era a ética, uma ética de quem a aprendeu da pior forma. “Ok, vamos providenciar sua cura!”.
Ele mencionou algo como Bomba de Radiação Extrema,e como sempre em seguida comecei a desfalecer novamente.
Tive alguns lapsos de lucidez em que pude ouvir frases como:
“Ele não vai aguentar.”
“Chamem o resto da equipe.”
“Perdemos ele...”
Pude abrir meus olhos, ou melhor meu olho. Não sentia metade da minha face, como se ela não estivesse lá. Do outro lado via Dood com um olhar preocupado.
Consegui ler seus lábios e o percebi dizendo algo como: “Tem que ser agora senão não tem mais volta.”.
Queria saber o significado daquilo, mas logo percebi que meu corpo estava amarrado a uma maca que se erguia à vertical me deixando ereto.
A próxima coisa que me lembro eram flashes rápidos e muito claros de luzes coloridas, ruídos, sentia como se fosse explodir de tanta pressão.
Do nada tudo parou e pude voltar a enxergar. Havia uma névoa densa que começou a desaparecer como se estivesse sendo sugada por meus olhos.
Pude ver Dood e ao seu lado o Diretor da SCP com um sorriso de canto de boca.
Dood me fez um gesto para retirar os óculos. Acho que ele não tinha noção do perigo que aquilo representava, mas ainda assim o fiz. Nada aconteceu, eu podia ficar sem os óculos!
Espera aí, eu não sabia como ativar a interferência, ela estava lá e saia quando eu ficava de olhos nus. E o pior é que parecia que isso era o que o Diretor queria.
Passamos alguns minutos falando sobre isso e a sua ultima frase chocou a todos os presentes:
“Então agente, pelo visto você não pode fazer mais sua mágica, portanto não pode atuar em campo. Não me resta muito a fazer.”.

Todos nos entreolhamos por alguns minutos, até que ele com um sorriso desferiu suas palavras finais:

“Arrume suas malas, você está voltando para casa!”.