quarta-feira, 9 de julho de 2014
sexta-feira, 4 de julho de 2014
# PROXY 19: A teoria do todo
Não me custava sondar mais informações, já que Distort
estava sendo uma pessoa tão amigável, diferente do que eu esperava. Perguntei-o
como funcionava tudo aquilo. Se aquele era o lugar fixo deles, o que já tinham
feito como missão, como me conheciam e sabiam das minhas habilidades, sondei
tudo que pude.
Distort não deixou para trás: “Já sei! Vamos dar uma
volta e a gente conversa melhor!”.
Saimos do quarto e olhando pelo geral do lugar era um
hospital velho. Fomos para o lado de fora, andamos e chegamos perto de um lago.
“Hunter, é meio complicado, mas cada dimensão tem suas
regras...” começou ele quando de imediato interrompi:
“Dimensões? Cada uma? Que conversa é essa cara? Quantas
dimensões existem?” Cada explicação que recebia me gerava mais perguntas.
Distort começou: “Calma Hunter, vou explicar. Sou, ou melhor,
fui um estudante de física. Conduzi alguns estudos e quando o Slender me
“contratou” mudei meu ramo de pesquisa. No fim descobri que não há uma
realidade considerada real. O Slender pode viajar entra algumas delas, não
todas. Em algumas dimensões não existimos, ou se sim, somos pessoas comuns e
nada do que vivemos aqui acontece. São apenas histórias criadas por nossas
versões dessa dimensão. Em algum lugar há outro Hunter, sem poderes que por
alguma razão resolveu contar sua história!
De qualquer forma,nessa dimensão que estamos, o Slender
nos usa em missões. Não entendemos as vezes o que fazemos, mas fazemos, para
permanecer com nossas habilidades!”
Agora tudo começava a fazer sentido. Muitas das criaturas
que eu conheço vivem isoladas em dimensões próprias, mas nessa todas estão
juntas. Mesmo assim, minha principal indagação era o Slender. Por que eu? E o
que o futuro reservou para mim?
Perdido em pensamentos noto atrás de nós Sick e Red
chegando e mais distante deles Run, que até o momento não tinha feito jus a seu
titulo.
Sick aparentava uma pessoa debochada, sempre sarcástico,
chegou já fazendo piada: “Saíram pra namorar, perderam a visita do tio! Vamos
moças, temos uma missão!”.
Distort sem perder tempo falou: “Hunter, você descobre
como funciona numa próxima! Todos vamos ao salão inferior aquecer para a
missão!”
Nos dirigimos ao subsolo do hospital, onde haviam 5
holloweds em pé no centro do salão. Sem muita perda de tempo, eles adotaram
posturas de ataque e vieram com tudo. Meio perdido com o que estava
acontecendo, fiquei na retaguarda e acompanhei a cena.
Run fazia dupla com Red, ela fazia vozes estranhas que
chamavam a atenção de um hollowed. Esse quando focava nela, esquecia de Run,
que era muito rápido e o colocava no chão.
Sick, como esperado, se achava o máximo, rapidamente
derrubou 2 holloweds e sentou-se para assistir os outros.
Distort era como eu, luta equilibrada, sempre analisando
o adversário, quando via a oportunidade liberava a interferência e acabava com ele.
Espera, eram 5 e só 4 estavam na minha visão! Um empurrão
de ombro atrás de mim me fez saber onde o quinto estava. Todos me olharam
esperando o que eu faria. Bem, eu ainda era um cara comum, sem minhas
habilidades, mas não podia ficar só olhando.
Meus treinos anteriores me ajudaram muito. Ele era muito
forte, mas seus movimentos só tinham efeito em alguém muito assustado, sem
tempo para pensar. Socos eram desferidos e impulsos de corpo eram seus golpes.
Inicialmente estudei o padrão enquanto desviava.
Quando vi a brecha comecei! Passei a desviar alguns socos
com as mãos e dar alguns chutes em seu abdômen. Foi quando aquilo começou. Tudo
do nada ficou muito lento, tudo menos eu. Enquanto o hollowed passou alguns
segundos erguendo sua mão para o que eu supunha que seria um soco, eu já havia
aplicado socos em seu corpo e rosto. Dessa vez durou menos que no encontro com
Jeff, mas o suficiente para derrubá-lo. Uma dor destruidora veio sobre minha
cabeça me jogando ao chão. Uma lembrança forte me veio quando uma de minhas
visões começou a sumir.
Com medo do que podia ser, corri antes que todos viessem
me ver. Em algum andar do hospital, entrei num quarto com um espelho e logo me
espantei com o que vi. Eu não tinha perdido uma visão, eu tinha perdido o olho
esquerdo todo. Não tinha nada lá, nem o buraco. Era só pele, como... como a
pele do Slender.
Dei sorte que em um quarto do lado estavam algumas roupas
de algum hollowed que não estava mais lá. Roupas e uma máscara. No bolso de uma
calça havia uma caneta preta grossa.
Cada Proxy tinha uma marca própria.
Eu já tinha a minha!
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terça-feira, 1 de julho de 2014
# PROXY 18: Família
Só podia ser uma ilusão, um sonho.
Aquele pequeno quarto estava cheio de pessoas mascaradas,
uns em cima de macas, outros sentados a beira da janela, e outros ainda em pé
encostados na parede, todos me olhando. Mesmo com suas máscaras eu podia sentir
sorrisos em seus rostos.
Logo me levantei e perguntei que história de irmão era
aquela, quem eram eles e o que estava acontecendo. O que estava mais perto
começou: “Cara, nós somos proxys, como você. Exatamente da mesma qualificação!”
Logo perguntei que classificação era essa e logo fui
esclarecido: Existem 3 tipos de proxys. Os Hollowed, apenas marionetes vivas
sem ideia do que fazem. Trabalham pro Slender sem consciência alguma. Só sabem
usar a força bruta.
Tem os Revenants, que são aqueles a quem o Slender
confere habilidades para distrair e tirar o foco dele. Essas habilidades
basicamente são alucinações que fazem o oponente focar no revenant ao invés de
no Slender.
E por último a minha categoria, os Agentes. Aqueles que
servem ao Slender Man, mantendo sua consciência e personalidade.
Toda essa explicação me fez repensar. Então eu não era
mais alguém especial. Só um Proxy de categoria diferente da conhecida pelo
mundo. Tudo, as missões, as lutas, o Caçadores do Medo, tudo era sorte.
Não sabia mais ao certo o que eu era.
Tratei de explicar ao mascarado que eu havia perdido meus
poderes. Ele não se alterou. Disse que podia sentir que estava lá. Estava
adormecido, mas estava voltando a aparecer e que nem de longe era igual aos
outros.
“Cada um de nós possui uma habilidade concedida pelo
Slender Man e para nos economizar nos chamamos por elas! Deixe te apresentar os
irmãos:
Aquele sentado perto da janela é o Sick, sua habilidade
não se compara com a original do Slender, mas ele consegue fazer as pessoas
ficarem com tosse, colocando sangue pra fora e quando se esforça muito consegue
um ou dois desmaios!
O cara em cima da maca tirando um cochilo é o Run, ele tem
velocidade maior que qualquer humano comum, mas não domina o Slender Walking.
Eu sou o Distort, domino o que você chama de
interferência, essa nem preciso explicar o que é não é!?”
Ainda assim haviam mais pessoas na sala, a maior parte
não se movia. Era como se estivessem desligados, mas todos tinham porte de
homens adultos, exceto um. Um com porte menor e mais frágil no canto do quarto,
sentado com as pernas cruzadas. Perguntei quem eram a Distort. Ele respondeu:
“Ah, essa turma que você está vendo aí são as marionetes,
os holloweds que mencionei antes. Como disse eles estão desligados até o
Slender aparecer e dar ordens!”
“Ordens”- perguntei com dúvida, “ele por acaso fala?
Chega aqui com papeis e manda vocês fazerem as coisas?”
“Não cara”- respondeu Distort rindo, “você vai entender
mais adiante. Mas voltando ao assunto, aquele ali no canto não é ele, é ela.
Chamamos ela de Imper, pois sua habilidade é a de personificar sua voz para
atrair os alvos das missões. Não sei porque exatamente, mas ela não gosta desse
nome que demos a ela.
Ela insiste em ser chamada de Red.”
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Nova temporada
O Beta não acabou, nem foi abandonado!
Sua nova temporada está sendo preparada para estrear dia 01/07, então fiquem de olho e relembrem nos capítulos passados a saga de Master Hunter e os Caçadores do Medo tentando evitar o apocalipse!
Sua nova temporada está sendo preparada para estrear dia 01/07, então fiquem de olho e relembrem nos capítulos passados a saga de Master Hunter e os Caçadores do Medo tentando evitar o apocalipse!
O QUE ACONTECEU COM MASTER HUNTER?
sexta-feira, 14 de março de 2014
# HOME 17: Da água para o vinho
Voltei a minha casa. Na verdade poucos instantes antes da
policia vir me buscar para o primeiro interrogatório de verdade. Me mantive
calmo, precisava conseguir a parte mais importante: voltar as atenções ao Jeff.
Fui colocado numa pequena sala e lá passei cerca de 30
minutos até aquela linda encenação de policial bom e policial mal começar. Eles
estavam fazendo o que podiam, mas eu não tinha muito pra falar. Quando viram
que não iam conseguir arrancar a confissão tão desejada de que eu tinha feito
tudo aquilo, tentaram o mais sensato: “Você sabem quem poderia ter feito isso?”.
Finalmente comecei a falar: “A pessoa de quem vocês estão
atrás se chama Jeff, o assassino. Ele está bem famoso e tem feito vítimas
constantemente. Tentou me atacar uma vez, mas não conseguiu seu objetivo e
creio que teve sua vingança em minha família.”, antes que tivessem a chance de
pensar, joguei minha isca ”creio que o recado que ele deixou na parede está bem
claro. Ele vai voltar pra terminar o serviço dele em mim.”.
Eles se entreolharam e decidiram ingenuamente morder
minha isca. Decidiram me usar como isca para atrair o Jeff. Deixei eles
estudarem alguns padrões dos lugares onde achariam o Jeff e voltei para casa. A
perseguição começaria de madrugada e meu corpo já estava desacostumado. De
repente a campainha toca. Corro pois poderia ser um dos caçadores. Abri a
porta, eram Jesse e Dave, me chamando para sair e esquecer os problemas. Falei para
irem embora pois a situação estava perigosa ao meu redor, mas eles não tinham
noção do perigo que corriam e me arrastaram para fora de casa. Isso me fez
lembrar que a memória deles não estava normal. Eles não se recordavam do
incidente do Slender na floresta durante a aula de campo.
Caminhamos e terminamos chegando numa estação de trem
desativada da cidade. Lá sentamos e eles vieram falar coisas boas sobre eu
melhorar. Para ser sincero não prestei atenção em nada. Meus ouvidos estavam
atentos a ruídos externos. Subitamente abracei Jesse e rapidamente sussurrei em
seu ouvido: “Jesse, quando eu me levantar corra o mais rápido que puder para a cidade
e leve o Dave com você, não faça perguntas, apenas corra e ligue para a polícia.”.
Me afastei dela e falei para Dave que ele deveria ir dar um abraço melhor que o
meu em Jesse, ingenuamente ele foi se levantando e se dirigindo a ela. Nesse
momento levantei e gritei: “Seu alvo sou eu, então não vá desperdiçar meu tempo.
De relance já via Jesse e Dave correndo, mas ele estava mais rápido, ou eu mais
lento. Rapidamente fui chutado plataforma abaixo e o vi correr atrás de meus
amigos.
Levantei meio desnorteado com o susto, mas logo comecei a
correr atrás deles. Tudo ia bem até que Dave tropeçou e caiu no chão
facilitando tudo para o Jeff. Vi a expressão de pavor de Dave ao se deparar com
aquela face maligna. Pude ver Jeff levantando sua mão a altura da boca para
proferir suas famosas palavras.
Nesse momento algo aconteceu e tudo ficou numa velocidade
extremamente lenta, quase como parados. Via a face de dor de Dave, o desespero
e as lagrimas de Jesse em saber que seria a próxima e o pior de tudo, me via
incapaz de poder fazer algo. Senti aquela sensação de impotência se tornar um queimar
em meu peito e se espalhar para todo meu corpo. A sensação era estranha, podia
ver a velocidade das coisas voltando ao normal, mas meu corpo estava cada vez
mais perto de Jeff antes que ele terminasse seu movimento. Sem controle daquele
movimento consegui esbarrar nele atirando-o alguns poucos metros. Sem entender
o que havia acontecido Jesse tomou a mão de Dave e o levou para longe.
Olhei para Jeff se levantando com seu sorriso de sempre e
o provoquei: “E aí, vamo ver quem dorme primeiro?”.
Iniciou-se nossa luta.
Golpes eram desferidos com velocidade e meu corpo não
tinha tempo para contra-atacar, apenas desviar. Jeff atacava com seu máximo
potencial e eu estava apenas correndo dele. Em certo momento devido ao barulho
das viaturas, Jeff perdeu sua atenção. Tempo suficiente para eu virar o jogo. Consegui
desarmar ele rapidamente e nossa briga se igualou.
Chutes e socos eram impulsionados de forma rápida e
constante de um para o outro e mesmo nos acertando não parávamos. Esqueci que
meu corpo ainda era humano e continuei com aquela luta intensa. Aos poucos fui
falhando novamente, estava cansado e Jeff se mantinha no mesmo ritmo. Dores começaram
a aparecer em meu corpo e me sentia pesado. Sem perceber Jeff tinha nos
conduzido para perto de onde sua faca estava. Ele rapidamente me afastou e a
pegou de volta. Ainda acertei um soco em sua face, mas já não tinha tanta
força, então recebi a primeira facada que com minha defesa atingiu meu braço. Para
tirar a faca, Jeff usou meu corpo de impulso e me chutou ao chão.
Aquele chiado começou em meu ouvido. Quando Jeff se
preparou para acabar comigo, olhou em minha direção e sua feição mudou. Ele parecia
assustado. Novamente ele fugiu. Olhei para trás para ver a figura do Slender
Man próxima a mim. Desmaiei.
Acordo em um quarto com algumas pessoas mascaradas me
olhando.
“Bem-vindo a casa irmão!”.
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segunda-feira, 3 de março de 2014
# HOME 16: Início do Fim
Toda a equipe estava reunida, todos estávamos prontos
para fazer o que fosse necessário para acabar com a ameaça iminente, mesmo sem
saber até que ponto tudo aquilo chegaria.
Planejamos, eu me fingiria de suspeito e faria a policia
me levar até um possível lugar onde o Jeff estivesse, lá eu faria o resto. Ou
melhor, Guurg o faria. Nessa altura já havia uma discussão entre nós 2. Ele
pode ter sido ferido pelo Jeff, mas no meu caso foi a morte de toda a minha
família. Ele parecia não tentar entender o que eu falava e em certos momentos
parecia até obcecado.
Precisava fazer algo para resolver aquilo. Disse a Guurg
que ele poderia ajudar, mas que a decisão final era minha. Em poucos minutos
todo o clima amistoso se transformara em rivalidade. Ele rapidamente saiu do
novo esconderijo e desapareceu. Os outros me olhavam questionadores sobre meu
próximo passo. Não tinha muito tempo a perder.
Perguntei a Dark o porque da mudança repentina de base.
Logo fui avisado que eles também foram expulsos da Fundação e que algo estranho
estava acontecendo. Pelo visto o Caçadores do Medo era um grupo independente
agora. Pedi a Dark para que levantasse o máximo de material sobre o Jeff,
quando uma das telas emitiu um alerta, era uma reportagem de televisão:
“Estranhos eventos estão acontecendo mundialmente,
incêndios sem explicação, tornados, trovões sem nuvens e outros fenomenos
naturais estão perturbando a vida de milhões de pessoas e colocando várias
vidas em risco...”
Rapidamente outra tela entrou em alerta, outro jornal:
“Em menos de um ano já foram mais de 10 os hospícios que
foram invadidos, e as equipes se negam a falar sobre os ocorridos...”
Dark bateu com as mãos sobre a mesa: “Como ninguém percebeu?
Tão na cara e ninguém se tocou da gravidade.” Tentando entender, perguntei do
que se tratava.
“Os Holders, Master, uma até então lenda, objetos
espalhados em vários hospícios, que quando unidos invocam um mal indescritível.
Alguém está tentando reunir os objetos.”.
Agora sim, tínhamos um problema bem maior para resolver.
O primeiro passo era me resolver com o Jeff. Depois resgatar os objetos. Tudo
deve correr bem, eu acho.
Esse era meu pensamento, mesmo que no fundo eu soubesse
que aquele era o ponto inicial do fim de tudo.
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
# HOME 15: Reinício
Entrei em estado de choque.
Não era possível. Depois daquele reset mental. De achar
que tudo estava começando de novo. Que tinha chance de ter uma vida.
Não consegui conter um grito que acordou a vizinhança
toda.
Logo a polícia e repórteres já tinham chegado ao local e
a confusão já estava instaurada. Óbvio que pelo meu histórico de ter passado
pelo Burnhills, a culpa cairia direto em mim. Só mais um louco que matou sua
família.
Enquanto a polícia seguia com a pericia eu estava no meu
quarto. Sem rumo. Sem ideia do que fazer. Dessa vez sem nem ter para onde ir.
Olhava para a maleta que estava debaixo da cama. Nada mais fazia sentido. Viver
não fazia sentido. Era hora de dar um fim aquilo. A porta se abriu e o delegado
entrou me chamando. Teria que ir a delegacia dar depoimento.
Como já imaginado fui acusado das mortes. Após uma dura
rodada de perguntas fui liberado e pude voltar para casa. Que casa? Não havia
mais lugar para mim. Decidi ir ao meu esconderijo na floresta e morrer lá.
Passei pela casa e peguei a maleta. Logo sumi na
floresta. Deitei no chão de folhas e logo pensei o melhor jeito de sumir. Logo
meus pensamentos foram interrompidos por barulhos nos arbustos. Pensei em ficar
alerta para me defender, mas logo pensei que poderia poupar esforços se alguém
o fizesse por mim. Não me movi.
“Que bela recepção, Master!” disse aquela voz rouca e
familiar.
Logo me levantei assustado. Daquela escuridão surgiu aquela
miragem. Dark e Night estavam ali na minha frente. Perguntei se eles vieram me
levar para a Fundação.
“Não! Na verdade estamos na mesma situação que você! Mas
quero mostrar um lugar especial.” Falou Dark sem perder seu tom animado.
Era numa parte mais afastada da floresta. Na verdade era
um ponto cego onde absolutamente ninguém acharia ou chegaria lá. Um alçapão no
chão coberto de folhas era a entrada. Dentro após uma escadaria, tinha um
imenso salão, com equipamentos.
“É incrível como essas sucatas que jogam fora podem ser
recicladas!” disse Dark em tom sarcástico.
Todos esboçamos sorrisos. O meu não durou muito. Querendo
ou não, vendo rostos familiares, minha família havia sido morta horas atrás. Me
isolei em um ponto de lá.
Espera. Eu não tinha me tocado do principal. Aquelas
mortes. Jeff o Assassino estava na cidade e não iria embora até me matar.
Todos estavam com cara de preocupação com o que fazer da
vida. Logo disse: “ tenho um plano e preciso da ajuda de todos vocês!”.
O que eu tinha em mente?
Com ou sem poderes o Jeff era meu dessa vez!
“Nada de caçar minha presa, rapaz!” outra voz familiar
surgiu no salão.
Guurg surgia em minha frente, com seu sorriso de quem
estava preparado para encarar seu pesadelo pessoal.
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
# HOME 14: Reset
Não podia ser verdade aquilo. Ia começar nesse momento?
Com certeza tinha sido o momento que o sensor tinha sido posto em mim. Só
podia!
O que fazer?
Gritei para as pessoas correrem o mais rápido que
pudessem e eu fiz o mesmo. De relance pude ver que o professor estava
paralisado com uma cara de espanto, surpresa e alegria ao mesmo tempo. A essa
altura do campeonato o Slender já estava a cerca de 30 metros do professor.
Gritei para ele correr logo e sair dali, mas além dele não se mover quem se
virou para mim foi o Slender.
Orion, Master Hunter, seja lá quem eu fosse, precisava
agir e rápido. Respirei fundo e iniciei minha investida contra ele. Corri com todas
as forças que me eram concedidas pela velha capacidade de meu corpo. Dei um
grito em direção a ele. Acho que no fundo esperava que a interferência
aparecesse naquele momento. Ele se virou para mim. Me lancei num salto e logo
fui alcançado ainda no ar por um de seus tentáculos. Podia ver muitos já caídos
ao chão, tentando se erguer com sangramentos, outros já desmaiados. O professor
já estava inconsciente nesse momento. Éramos só nós dois. Mas pelo visto não
duraria muito.
Encarei seu “rosto” por alguns segundos e senti aquele
chiado aumentando em meu ouvido. Era meu fim. Era o fim para todos.
Acordo.
Me sinto desnorteado, mas me levanto. Algo estranho
aconteceu. Está de noite. Estou com a mesma roupa surrada do dia do grande
encontro. A marca de sangue está recente, úmida. Não era possível. Toda a minha
aventura. Tudo que eu havia me tornado. Foi tudo uma ilusão, uma alucinação da
minha cabeça em resposta ao medo e a pancada. Me sentia apenas normal. Um pouco
frustrado em pensar que tudo foi tão real, mas também pensar que minha
imaginação tinha se superado dessa vez.
Me sento no chão, choro um pouco de alívio e decido voltar para casa.
Vou tirar minha prova agora, decidi mudar minha rota para o Burnhills. Será que
Anna existia e se sim, se estava lá? Chego e sou muito bem recebido. Ninguém
age como se eu tivesse sido paciente de lá. Pergunto por Anna. Eles dizem que
vão me levar até onde ela está. Ela existe, pode ser um bom sinal.
No caminho até o quarto, pergunto sobre ela como um
conhecido. Eles comentam que o caso foi a televisão, o caso da garota gênio que
havia sido internada por seus pais. Era isso! Eu não tinha criado ela. Em algum
ponto do meu subconsciente eu havia armazenado a noticia que tinha sido
transmitida pela TV.
Entrei no quarto e a olhei. Era ela mesmo. Encarei-a com
um olhar de “se ela soubesse o que passou na minha cabeça”. Ela não abre a boca
um momento nem olha para mim. Os enfermeiros não saiam do quarto, como numa
escolta. Passei cerca de 5 minutos a olhando e logo eles disseram que o tempo
da visita já havia se esgotado. Um deles abriu a porta e pôs a mão sobre meu
ombro. Resolvi arriscar.
“Anna, lembra de mim?”
Lentamente sua cabeça se ergueu, um olhar apático me
encarou. E tudo realmente era minha imaginação. Me virei de costas e caminhei
para fora. Acompanhei o movimento da porta fechando e aquele olhar morto me
seguindo. Nos últimos 5cm de porta aberta veio o sinal. Uma rápida piscada de
olho, seguida da mordida de lábios que ela sempre me dava quando sabia que eu
precisava dela.
Aquilo definitivamente não tinha passado na TV. De
qualquer forma precisava voltar para casa. Me apressei em chegar logo e
reencontrar minha família. Contar a eles toda a loucura que meus sonhos me
deram.
Chego em casa e abro a porta. Chamo por eles mas não
houve resposta, acho que saíram.
Chego na sala de jantar para encontrar a pior cena da
minha vida.
Toda minha família estava morta. Todos com cortes pelos
corpos espalhados. Cada um em sua cadeira de jantar habitual.
Na parede escrito com o sangue havia:
“Agora só falta você ir dormir!”
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
# HOME 13: Loop 2
Eu não sabia ao certo que cara fazer para toda a turma. Realmente
a cara que eu tenha feito despertou curiosidade em todos, principalmente no
professor. No fim das contas todos tentavam entender o porque da minha reação.
Apenas cortei o assunto e fui embora para casa.
Por pior que parecesse a decisão, era a única que eu
tinha. Contar a meus pais para onde iria. Minha mãe, nervosa, começou a falar
um monte de coisas me fazendo sentir arrependimento instantâneo de ter aberto a
boca. Me tranquei no meu quarto. O que eu estava sentindo. Não sei ao certo. Talvez
medo de tudo começar de novo. Ter de abandonar minha casa, minha “normalidade”.
Talvez medo de ser morto ou ver as pessoas com que me importava sendo
machucadas. Ou talvez o pior de tudo, encarar o Slender Man naquele estado vulnerável.
Do nada uma voz surgiu na minha mente: “Não se esqueça,
você pode não lembrar do sobrenatural, mas ele ainda existe. E uma vez que você
faça parte dele, não há mais saída.”. Espere, eu conhecia essa voz, de longa
data. Era a voz de Landaw. Obrigado velha amiga. Agora eu sabia o que tinha que
fazer. Fui atrás do professor para uma reunião e lá ele me mostrou a ferramenta
do destino. Um sensor que se acoplava a cabeça como uma tiara que ampliava as
ondas cerebrais. O objetivo era criar alguma relação mental com animais ou
qualquer coisa desse tipo. Era um trabalho experimental e que com certeza daria
problema, principalmente se minhas ondas fossem ampliadas. Tratei de avisar ao
professor que não podia usar o equipamento devido a um problema de saúde. Ele estranhou
mas consentiu, confirmando que ao menos eu estaria na excursão. Confirmei com
um gesto de cabeça e logo saí de lá.
Precisava colocar minhas ideias no lugar, armar
estratégias de fuga, para salvar o máximo de pessoas que desse. Nossa, aqui
estou eu como tudo começou, me sentindo um guerrilheiro numa guerra que minha
chance única era perder. Mesmo assim não podia desistir, não agora que sabia
que cedo ou tarde essa realidade voltaria para mim. O pior era não poder contar
tudo de incrível que eu vivera, ou até mesmo contar tudo que poderia vir a
acontecer.
Chegou o dia da excursão.
Minha mente já estava pronta. 2 dias antes só para
garantir já tinha treinado meu corpo no esconderijo da floresta, como esperado
Night já não estava lá. Mas era o único caminho para mim. Chegamos ao parque e
todos estavam empolgados. Eu me esforçava para demonstrar o mesmo, pelo menos
externamente. Chegamos a um ponto da floresta em que a copa das árvores fechava
70% da luminosidade do local. Era como um labirinto de arvores com algumas
clareiras espalhadas. Andamos e logo lágrimas caíram por minha face.
Era ali.
O pequeno penhasco do terrível primeiro encontro. Um filme
passou na minha cabeça. Quando me apercebi o erro havia sido cometido. Os rapazes
sem entender, tentaram me animar e fizeram o favor de me segurar e prender um dos
sensores a minha cabeça e aumentar a frequência dele ao máximo.
Nada aconteceu, nem um som saiu. Era como se meu corpo
não tivesse frequência elétrica nenhuma. Estranho, mas nada aconteceu então já
está ótimo. Eles retiraram o sensor e me soltaram. Com certeza não seria agora
que o sobrenatural não retornaria a mim! Me aproximei do penhasco e arrisquei
um olhar para baixo. Pude ver uma pequena marca de sangue da minha queda.
Estava tudo bem, já havia acabado! Esse era meu pensamento,
até o mesmo ser interrompido pela gritaria atrás de mim. Pude me virar a tempo
de ver a 60 metros do grupo o homem sem face com seu terno preto.
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