sexta-feira, 4 de julho de 2014

# PROXY 19: A teoria do todo

Não me custava sondar mais informações, já que Distort estava sendo uma pessoa tão amigável, diferente do que eu esperava. Perguntei-o como funcionava tudo aquilo. Se aquele era o lugar fixo deles, o que já tinham feito como missão, como me conheciam e sabiam das minhas habilidades, sondei tudo que pude.
Distort não deixou para trás: “Já sei! Vamos dar uma volta e a gente conversa melhor!”.
Saimos do quarto e olhando pelo geral do lugar era um hospital velho. Fomos para o lado de fora, andamos e chegamos perto de um lago.
“Hunter, é meio complicado, mas cada dimensão tem suas regras...” começou ele quando de imediato interrompi:
“Dimensões? Cada uma? Que conversa é essa cara? Quantas dimensões existem?” Cada explicação que recebia me gerava mais perguntas.
Distort começou: “Calma Hunter, vou explicar. Sou, ou melhor, fui um estudante de física. Conduzi alguns estudos e quando o Slender me “contratou” mudei meu ramo de pesquisa. No fim descobri que não há uma realidade considerada real. O Slender pode viajar entra algumas delas, não todas. Em algumas dimensões não existimos, ou se sim, somos pessoas comuns e nada do que vivemos aqui acontece. São apenas histórias criadas por nossas versões dessa dimensão. Em algum lugar há outro Hunter, sem poderes que por alguma razão resolveu contar sua história!
De qualquer forma,nessa dimensão que estamos, o Slender nos usa em missões. Não entendemos as vezes o que fazemos, mas fazemos, para permanecer com nossas habilidades!”
Agora tudo começava a fazer sentido. Muitas das criaturas que eu conheço vivem isoladas em dimensões próprias, mas nessa todas estão juntas. Mesmo assim, minha principal indagação era o Slender. Por que eu? E o que o futuro reservou para mim?
Perdido em pensamentos noto atrás de nós Sick e Red chegando e mais distante deles Run, que até o momento não tinha feito jus a seu titulo.
Sick aparentava uma pessoa debochada, sempre sarcástico, chegou já fazendo piada: “Saíram pra namorar, perderam a visita do tio! Vamos moças, temos uma missão!”.
Distort sem perder tempo falou: “Hunter, você descobre como funciona numa próxima! Todos vamos ao salão inferior aquecer para a missão!”
Nos dirigimos ao subsolo do hospital, onde haviam 5 holloweds em pé no centro do salão. Sem muita perda de tempo, eles adotaram posturas de ataque e vieram com tudo. Meio perdido com o que estava acontecendo, fiquei na retaguarda e acompanhei a cena.
Run fazia dupla com Red, ela fazia vozes estranhas que chamavam a atenção de um hollowed. Esse quando focava nela, esquecia de Run, que era muito rápido e o colocava no chão.
Sick, como esperado, se achava o máximo, rapidamente derrubou 2 holloweds e sentou-se para assistir os outros.
Distort era como eu, luta equilibrada, sempre analisando o adversário, quando via a oportunidade liberava a interferência e acabava com ele.
Espera, eram 5 e só 4 estavam na minha visão! Um empurrão de ombro atrás de mim me fez saber onde o quinto estava. Todos me olharam esperando o que eu faria. Bem, eu ainda era um cara comum, sem minhas habilidades, mas não podia ficar só olhando.
Meus treinos anteriores me ajudaram muito. Ele era muito forte, mas seus movimentos só tinham efeito em alguém muito assustado, sem tempo para pensar. Socos eram desferidos e impulsos de corpo eram seus golpes. Inicialmente estudei o padrão enquanto desviava.
Quando vi a brecha comecei! Passei a desviar alguns socos com as mãos e dar alguns chutes em seu abdômen. Foi quando aquilo começou. Tudo do nada ficou muito lento, tudo menos eu. Enquanto o hollowed passou alguns segundos erguendo sua mão para o que eu supunha que seria um soco, eu já havia aplicado socos em seu corpo e rosto. Dessa vez durou menos que no encontro com Jeff, mas o suficiente para derrubá-lo. Uma dor destruidora veio sobre minha cabeça me jogando ao chão. Uma lembrança forte me veio quando uma de minhas visões começou a sumir.
Com medo do que podia ser, corri antes que todos viessem me ver. Em algum andar do hospital, entrei num quarto com um espelho e logo me espantei com o que vi. Eu não tinha perdido uma visão, eu tinha perdido o olho esquerdo todo. Não tinha nada lá, nem o buraco. Era só pele, como... como a pele do Slender.
Dei sorte que em um quarto do lado estavam algumas roupas de algum hollowed que não estava mais lá. Roupas e uma máscara. No bolso de uma calça havia uma caneta preta grossa.
Cada Proxy tinha uma marca própria.

Eu já tinha a minha!

terça-feira, 1 de julho de 2014

# PROXY 18: Família

Só podia ser uma ilusão, um sonho.
Aquele pequeno quarto estava cheio de pessoas mascaradas, uns em cima de macas, outros sentados a beira da janela, e outros ainda em pé encostados na parede, todos me olhando. Mesmo com suas máscaras eu podia sentir sorrisos em seus rostos.
Logo me levantei e perguntei que história de irmão era aquela, quem eram eles e o que estava acontecendo. O que estava mais perto começou: “Cara, nós somos proxys, como você. Exatamente da mesma qualificação!”
Logo perguntei que classificação era essa e logo fui esclarecido: Existem 3 tipos de proxys. Os Hollowed, apenas marionetes vivas sem ideia do que fazem. Trabalham pro Slender sem consciência alguma. Só sabem usar a força bruta.
Tem os Revenants, que são aqueles a quem o Slender confere habilidades para distrair e tirar o foco dele. Essas habilidades basicamente são alucinações que fazem o oponente focar no revenant ao invés de no Slender.
E por último a minha categoria, os Agentes. Aqueles que servem ao Slender Man, mantendo sua consciência e personalidade.
Toda essa explicação me fez repensar. Então eu não era mais alguém especial. Só um Proxy de categoria diferente da conhecida pelo mundo. Tudo, as missões, as lutas, o Caçadores do Medo, tudo era sorte.
Não sabia mais ao certo o que eu era.
Tratei de explicar ao mascarado que eu havia perdido meus poderes. Ele não se alterou. Disse que podia sentir que estava lá. Estava adormecido, mas estava voltando a aparecer e que nem de longe era igual aos outros.
“Cada um de nós possui uma habilidade concedida pelo Slender Man e para nos economizar nos chamamos por elas! Deixe te apresentar os irmãos:
Aquele sentado perto da janela é o Sick, sua habilidade não se compara com a original do Slender, mas ele consegue fazer as pessoas ficarem com tosse, colocando sangue pra fora e quando se esforça muito consegue um ou dois desmaios!
O cara em cima da maca tirando um cochilo é o Run, ele tem velocidade maior que qualquer humano comum, mas não domina o Slender Walking.
Eu sou o Distort, domino o que você chama de interferência, essa nem preciso explicar o que é não é!?”
Ainda assim haviam mais pessoas na sala, a maior parte não se movia. Era como se estivessem desligados, mas todos tinham porte de homens adultos, exceto um. Um com porte menor e mais frágil no canto do quarto, sentado com as pernas cruzadas. Perguntei quem eram a Distort. Ele respondeu:
“Ah, essa turma que você está vendo aí são as marionetes, os holloweds que mencionei antes. Como disse eles estão desligados até o Slender aparecer e dar ordens!”
“Ordens”- perguntei com dúvida, “ele por acaso fala? Chega aqui com papeis e manda vocês fazerem as coisas?”
“Não cara”- respondeu Distort rindo, “você vai entender mais adiante. Mas voltando ao assunto, aquele ali no canto não é ele, é ela. Chamamos ela de Imper, pois sua habilidade é a de personificar sua voz para atrair os alvos das missões. Não sei porque exatamente, mas ela não gosta desse nome que demos a ela.

Ela insiste em ser chamada de Red.”

sexta-feira, 13 de junho de 2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Nova temporada

O Beta não acabou, nem foi abandonado!

Sua nova temporada está sendo preparada para estrear dia 01/07, então fiquem de olho e relembrem nos capítulos passados a saga de Master Hunter e os Caçadores do Medo tentando evitar o apocalipse!



O QUE ACONTECEU COM MASTER HUNTER?

sexta-feira, 14 de março de 2014

# HOME 17: Da água para o vinho

Voltei a minha casa. Na verdade poucos instantes antes da policia vir me buscar para o primeiro interrogatório de verdade. Me mantive calmo, precisava conseguir a parte mais importante: voltar as atenções ao Jeff.
Fui colocado numa pequena sala e lá passei cerca de 30 minutos até aquela linda encenação de policial bom e policial mal começar. Eles estavam fazendo o que podiam, mas eu não tinha muito pra falar. Quando viram que não iam conseguir arrancar a confissão tão desejada de que eu tinha feito tudo aquilo, tentaram o mais sensato: “Você sabem quem poderia ter feito isso?”.
Finalmente comecei a falar: “A pessoa de quem vocês estão atrás se chama Jeff, o assassino. Ele está bem famoso e tem feito vítimas constantemente. Tentou me atacar uma vez, mas não conseguiu seu objetivo e creio que teve sua vingança em minha família.”, antes que tivessem a chance de pensar, joguei minha isca ”creio que o recado que ele deixou na parede está bem claro. Ele vai voltar pra terminar o serviço dele em mim.”.
Eles se entreolharam e decidiram ingenuamente morder minha isca. Decidiram me usar como isca para atrair o Jeff. Deixei eles estudarem alguns padrões dos lugares onde achariam o Jeff e voltei para casa. A perseguição começaria de madrugada e meu corpo já estava desacostumado. De repente a campainha toca. Corro pois poderia ser um dos caçadores. Abri a porta, eram Jesse e Dave, me chamando para sair e esquecer os problemas. Falei para irem embora pois a situação estava perigosa ao meu redor, mas eles não tinham noção do perigo que corriam e me arrastaram para fora de casa. Isso me fez lembrar que a memória deles não estava normal. Eles não se recordavam do incidente do Slender na floresta durante a aula de campo.
Caminhamos e terminamos chegando numa estação de trem desativada da cidade. Lá sentamos e eles vieram falar coisas boas sobre eu melhorar. Para ser sincero não prestei atenção em nada. Meus ouvidos estavam atentos a ruídos externos. Subitamente abracei Jesse e rapidamente sussurrei em seu ouvido: “Jesse, quando eu me levantar corra o mais rápido que puder para a cidade e leve o Dave com você, não faça perguntas, apenas corra e ligue para a polícia.”. Me afastei dela e falei para Dave que ele deveria ir dar um abraço melhor que o meu em Jesse, ingenuamente ele foi se levantando e se dirigindo a ela. Nesse momento levantei e gritei: “Seu alvo sou eu, então não vá desperdiçar meu tempo. De relance já via Jesse e Dave correndo, mas ele estava mais rápido, ou eu mais lento. Rapidamente fui chutado plataforma abaixo e o vi correr atrás de meus amigos.
Levantei meio desnorteado com o susto, mas logo comecei a correr atrás deles. Tudo ia bem até que Dave tropeçou e caiu no chão facilitando tudo para o Jeff. Vi a expressão de pavor de Dave ao se deparar com aquela face maligna. Pude ver Jeff levantando sua mão a altura da boca para proferir suas famosas palavras.
Nesse momento algo aconteceu e tudo ficou numa velocidade extremamente lenta, quase como parados. Via a face de dor de Dave, o desespero e as lagrimas de Jesse em saber que seria a próxima e o pior de tudo, me via incapaz de poder fazer algo. Senti aquela sensação de impotência se tornar um queimar em meu peito e se espalhar para todo meu corpo. A sensação era estranha, podia ver a velocidade das coisas voltando ao normal, mas meu corpo estava cada vez mais perto de Jeff antes que ele terminasse seu movimento. Sem controle daquele movimento consegui esbarrar nele atirando-o alguns poucos metros. Sem entender o que havia acontecido Jesse tomou a mão de Dave e o levou para longe.
Olhei para Jeff se levantando com seu sorriso de sempre e o provoquei: “E aí, vamo ver quem dorme primeiro?”.
Iniciou-se nossa luta.
Golpes eram desferidos com velocidade e meu corpo não tinha tempo para contra-atacar, apenas desviar. Jeff atacava com seu máximo potencial e eu estava apenas correndo dele. Em certo momento devido ao barulho das viaturas, Jeff perdeu sua atenção. Tempo suficiente para eu virar o jogo. Consegui desarmar ele rapidamente e nossa briga se igualou.
Chutes e socos eram impulsionados de forma rápida e constante de um para o outro e mesmo nos acertando não parávamos. Esqueci que meu corpo ainda era humano e continuei com aquela luta intensa. Aos poucos fui falhando novamente, estava cansado e Jeff se mantinha no mesmo ritmo. Dores começaram a aparecer em meu corpo e me sentia pesado. Sem perceber Jeff tinha nos conduzido para perto de onde sua faca estava. Ele rapidamente me afastou e a pegou de volta. Ainda acertei um soco em sua face, mas já não tinha tanta força, então recebi a primeira facada que com minha defesa atingiu meu braço. Para tirar a faca, Jeff usou meu corpo de impulso e me chutou ao chão.
Aquele chiado começou em meu ouvido. Quando Jeff se preparou para acabar comigo, olhou em minha direção e sua feição mudou. Ele parecia assustado. Novamente ele fugiu. Olhei para trás para ver a figura do Slender Man próxima a mim. Desmaiei.

Acordo em um quarto com algumas pessoas mascaradas me olhando.

“Bem-vindo a casa irmão!”.

segunda-feira, 3 de março de 2014

# HOME 16: Início do Fim

Toda a equipe estava reunida, todos estávamos prontos para fazer o que fosse necessário para acabar com a ameaça iminente, mesmo sem saber até que ponto tudo aquilo chegaria.
Planejamos, eu me fingiria de suspeito e faria a policia me levar até um possível lugar onde o Jeff estivesse, lá eu faria o resto. Ou melhor, Guurg o faria. Nessa altura já havia uma discussão entre nós 2. Ele pode ter sido ferido pelo Jeff, mas no meu caso foi a morte de toda a minha família. Ele parecia não tentar entender o que eu falava e em certos momentos parecia até obcecado.
Precisava fazer algo para resolver aquilo. Disse a Guurg que ele poderia ajudar, mas que a decisão final era minha. Em poucos minutos todo o clima amistoso se transformara em rivalidade. Ele rapidamente saiu do novo esconderijo e desapareceu. Os outros me olhavam questionadores sobre meu próximo passo. Não tinha muito tempo a perder.
Perguntei a Dark o porque da mudança repentina de base. Logo fui avisado que eles também foram expulsos da Fundação e que algo estranho estava acontecendo. Pelo visto o Caçadores do Medo era um grupo independente agora. Pedi a Dark para que levantasse o máximo de material sobre o Jeff, quando uma das telas emitiu um alerta, era uma reportagem de televisão:
“Estranhos eventos estão acontecendo mundialmente, incêndios sem explicação, tornados, trovões sem nuvens e outros fenomenos naturais estão perturbando a vida de milhões de pessoas e colocando várias vidas em risco...”
Rapidamente outra tela entrou em alerta, outro jornal:
“Em menos de um ano já foram mais de 10 os hospícios que foram invadidos, e as equipes se negam a falar sobre os ocorridos...”
Dark bateu com as mãos sobre a mesa: “Como ninguém percebeu? Tão na cara e ninguém se tocou da gravidade.” Tentando entender, perguntei do que se tratava.
“Os Holders, Master, uma até então lenda, objetos espalhados em vários hospícios, que quando unidos invocam um mal indescritível. Alguém está tentando reunir os objetos.”.
Agora sim, tínhamos um problema bem maior para resolver. O primeiro passo era me resolver com o Jeff. Depois resgatar os objetos. Tudo deve correr bem, eu acho.

Esse era meu pensamento, mesmo que no fundo eu soubesse que aquele era o ponto inicial do fim de tudo.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

# HOME 15: Reinício

Entrei em estado de choque.
Não era possível. Depois daquele reset mental. De achar que tudo estava começando de novo. Que tinha chance de ter uma vida.
Não consegui conter um grito que acordou a vizinhança toda.
Logo a polícia e repórteres já tinham chegado ao local e a confusão já estava instaurada. Óbvio que pelo meu histórico de ter passado pelo Burnhills, a culpa cairia direto em mim. Só mais um louco que matou sua família.
Enquanto a polícia seguia com a pericia eu estava no meu quarto. Sem rumo. Sem ideia do que fazer. Dessa vez sem nem ter para onde ir. Olhava para a maleta que estava debaixo da cama. Nada mais fazia sentido. Viver não fazia sentido. Era hora de dar um fim aquilo. A porta se abriu e o delegado entrou me chamando. Teria que ir a delegacia dar depoimento.
Como já imaginado fui acusado das mortes. Após uma dura rodada de perguntas fui liberado e pude voltar para casa. Que casa? Não havia mais lugar para mim. Decidi ir ao meu esconderijo na floresta e morrer lá.
Passei pela casa e peguei a maleta. Logo sumi na floresta. Deitei no chão de folhas e logo pensei o melhor jeito de sumir. Logo meus pensamentos foram interrompidos por barulhos nos arbustos. Pensei em ficar alerta para me defender, mas logo pensei que poderia poupar esforços se alguém o fizesse por mim. Não me movi.
“Que bela recepção, Master!” disse aquela voz rouca e familiar.
Logo me levantei assustado. Daquela escuridão surgiu aquela miragem. Dark e Night estavam ali na minha frente. Perguntei se eles vieram me levar para a Fundação.
“Não! Na verdade estamos na mesma situação que você! Mas quero mostrar um lugar especial.” Falou Dark sem perder seu tom animado.
Era numa parte mais afastada da floresta. Na verdade era um ponto cego onde absolutamente ninguém acharia ou chegaria lá. Um alçapão no chão coberto de folhas era a entrada. Dentro após uma escadaria, tinha um imenso salão, com equipamentos.
“É incrível como essas sucatas que jogam fora podem ser recicladas!” disse Dark em tom sarcástico.
Todos esboçamos sorrisos. O meu não durou muito. Querendo ou não, vendo rostos familiares, minha família havia sido morta horas atrás. Me isolei em um ponto de lá.
Espera. Eu não tinha me tocado do principal. Aquelas mortes. Jeff o Assassino estava na cidade e não iria embora até me matar.
Todos estavam com cara de preocupação com o que fazer da vida. Logo disse: “ tenho um plano e preciso da ajuda de todos vocês!”.
O que eu tinha em mente?

Com ou sem poderes o Jeff era meu dessa vez!



“Nada de caçar minha presa, rapaz!” outra voz familiar surgiu no salão.


Guurg surgia em minha frente, com seu sorriso de quem estava preparado para encarar seu pesadelo pessoal.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

# HOME 14: Reset

Não podia ser verdade aquilo. Ia começar nesse momento? Com certeza tinha sido o momento que o sensor tinha sido posto em mim. Só podia!
O que fazer?
Gritei para as pessoas correrem o mais rápido que pudessem e eu fiz o mesmo. De relance pude ver que o professor estava paralisado com uma cara de espanto, surpresa e alegria ao mesmo tempo. A essa altura do campeonato o Slender já estava a cerca de 30 metros do professor. Gritei para ele correr logo e sair dali, mas além dele não se mover quem se virou para mim foi o Slender.
Orion, Master Hunter, seja lá quem eu fosse, precisava agir e rápido. Respirei fundo e iniciei minha investida contra ele. Corri com todas as forças que me eram concedidas pela velha capacidade de meu corpo. Dei um grito em direção a ele. Acho que no fundo esperava que a interferência aparecesse naquele momento. Ele se virou para mim. Me lancei num salto e logo fui alcançado ainda no ar por um de seus tentáculos. Podia ver muitos já caídos ao chão, tentando se erguer com sangramentos, outros já desmaiados. O professor já estava inconsciente nesse momento. Éramos só nós dois. Mas pelo visto não duraria muito.
Encarei seu “rosto” por alguns segundos e senti aquele chiado aumentando em meu ouvido. Era meu fim. Era o fim para todos.


Acordo.
Me sinto desnorteado, mas me levanto. Algo estranho aconteceu. Está de noite. Estou com a mesma roupa surrada do dia do grande encontro. A marca de sangue está recente, úmida. Não era possível. Toda a minha aventura. Tudo que eu havia me tornado. Foi tudo uma ilusão, uma alucinação da minha cabeça em resposta ao medo e a pancada. Me sentia apenas normal. Um pouco frustrado em pensar que tudo foi tão real, mas também pensar que minha imaginação tinha se superado dessa vez.
Me sento no chão, choro um  pouco de alívio e decido voltar para casa. Vou tirar minha prova agora, decidi mudar minha rota para o Burnhills. Será que Anna existia e se sim, se estava lá? Chego e sou muito bem recebido. Ninguém age como se eu tivesse sido paciente de lá. Pergunto por Anna. Eles dizem que vão me levar até onde ela está. Ela existe, pode ser um bom sinal.
No caminho até o quarto, pergunto sobre ela como um conhecido. Eles comentam que o caso foi a televisão, o caso da garota gênio que havia sido internada por seus pais. Era isso! Eu não tinha criado ela. Em algum ponto do meu subconsciente eu havia armazenado a noticia que tinha sido transmitida pela TV.
Entrei no quarto e a olhei. Era ela mesmo. Encarei-a com um olhar de “se ela soubesse o que passou na minha cabeça”. Ela não abre a boca um momento nem olha para mim. Os enfermeiros não saiam do quarto, como numa escolta. Passei cerca de 5 minutos a olhando e logo eles disseram que o tempo da visita já havia se esgotado. Um deles abriu a porta e pôs a mão sobre meu ombro. Resolvi arriscar.
“Anna, lembra de mim?”
Lentamente sua cabeça se ergueu, um olhar apático me encarou. E tudo realmente era minha imaginação. Me virei de costas e caminhei para fora. Acompanhei o movimento da porta fechando e aquele olhar morto me seguindo. Nos últimos 5cm de porta aberta veio o sinal. Uma rápida piscada de olho, seguida da mordida de lábios que ela sempre me dava quando sabia que eu precisava dela.
Aquilo definitivamente não tinha passado na TV. De qualquer forma precisava voltar para casa. Me apressei em chegar logo e reencontrar minha família. Contar a eles toda a loucura que meus sonhos me deram.
Chego em casa e abro a porta. Chamo por eles mas não houve resposta, acho que saíram.
Chego na sala de jantar para encontrar a pior cena da minha vida.
Toda minha família estava morta. Todos com cortes pelos corpos espalhados. Cada um em sua cadeira de jantar habitual.
Na parede escrito com o sangue havia:


“Agora só falta você ir dormir!”

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

# HOME 13: Loop 2

Eu não sabia ao certo que cara fazer para toda a turma. Realmente a cara que eu tenha feito despertou curiosidade em todos, principalmente no professor. No fim das contas todos tentavam entender o porque da minha reação. Apenas cortei o assunto e fui embora para casa.
Por pior que parecesse a decisão, era a única que eu tinha. Contar a meus pais para onde iria. Minha mãe, nervosa, começou a falar um monte de coisas me fazendo sentir arrependimento instantâneo de ter aberto a boca. Me tranquei no meu quarto. O que eu estava sentindo. Não sei ao certo. Talvez medo de tudo começar de novo. Ter de abandonar minha casa, minha “normalidade”. Talvez medo de ser morto ou ver as pessoas com que me importava sendo machucadas. Ou talvez o pior de tudo, encarar o Slender Man naquele estado vulnerável.
Do nada uma voz surgiu na minha mente: “Não se esqueça, você pode não lembrar do sobrenatural, mas ele ainda existe. E uma vez que você faça parte dele, não há mais saída.”. Espere, eu conhecia essa voz, de longa data. Era a voz de Landaw. Obrigado velha amiga. Agora eu sabia o que tinha que fazer. Fui atrás do professor para uma reunião e lá ele me mostrou a ferramenta do destino. Um sensor que se acoplava a cabeça como uma tiara que ampliava as ondas cerebrais. O objetivo era criar alguma relação mental com animais ou qualquer coisa desse tipo. Era um trabalho experimental e que com certeza daria problema, principalmente se minhas ondas fossem ampliadas. Tratei de avisar ao professor que não podia usar o equipamento devido a um problema de saúde. Ele estranhou mas consentiu, confirmando que ao menos eu estaria na excursão. Confirmei com um gesto de cabeça e logo saí de lá.
Precisava colocar minhas ideias no lugar, armar estratégias de fuga, para salvar o máximo de pessoas que desse. Nossa, aqui estou eu como tudo começou, me sentindo um guerrilheiro numa guerra que minha chance única era perder. Mesmo assim não podia desistir, não agora que sabia que cedo ou tarde essa realidade voltaria para mim. O pior era não poder contar tudo de incrível que eu vivera, ou até mesmo contar tudo que poderia vir a acontecer.
Chegou o dia da excursão.
Minha mente já estava pronta. 2 dias antes só para garantir já tinha treinado meu corpo no esconderijo da floresta, como esperado Night já não estava lá. Mas era o único caminho para mim. Chegamos ao parque e todos estavam empolgados. Eu me esforçava para demonstrar o mesmo, pelo menos externamente. Chegamos a um ponto da floresta em que a copa das árvores fechava 70% da luminosidade do local. Era como um labirinto de arvores com algumas clareiras espalhadas. Andamos e logo lágrimas caíram por minha face.
Era ali.
O pequeno penhasco do terrível primeiro encontro. Um filme passou na minha cabeça. Quando me apercebi o erro havia sido cometido. Os rapazes sem entender, tentaram me animar e fizeram o favor de me segurar e prender um dos sensores a minha cabeça e aumentar a frequência dele ao máximo.
Nada aconteceu, nem um som saiu. Era como se meu corpo não tivesse frequência elétrica nenhuma. Estranho, mas nada aconteceu então já está ótimo. Eles retiraram o sensor e me soltaram. Com certeza não seria agora que o sobrenatural não retornaria a mim! Me aproximei do penhasco e arrisquei um olhar para baixo. Pude ver uma pequena marca de sangue da minha queda.

Estava tudo bem, já havia acabado! Esse era meu pensamento, até o mesmo ser interrompido pela gritaria atrás de mim. Pude me virar a tempo de ver a 60 metros do grupo o homem sem face com seu terno preto.