sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

# HOME 14: Reset

Não podia ser verdade aquilo. Ia começar nesse momento? Com certeza tinha sido o momento que o sensor tinha sido posto em mim. Só podia!
O que fazer?
Gritei para as pessoas correrem o mais rápido que pudessem e eu fiz o mesmo. De relance pude ver que o professor estava paralisado com uma cara de espanto, surpresa e alegria ao mesmo tempo. A essa altura do campeonato o Slender já estava a cerca de 30 metros do professor. Gritei para ele correr logo e sair dali, mas além dele não se mover quem se virou para mim foi o Slender.
Orion, Master Hunter, seja lá quem eu fosse, precisava agir e rápido. Respirei fundo e iniciei minha investida contra ele. Corri com todas as forças que me eram concedidas pela velha capacidade de meu corpo. Dei um grito em direção a ele. Acho que no fundo esperava que a interferência aparecesse naquele momento. Ele se virou para mim. Me lancei num salto e logo fui alcançado ainda no ar por um de seus tentáculos. Podia ver muitos já caídos ao chão, tentando se erguer com sangramentos, outros já desmaiados. O professor já estava inconsciente nesse momento. Éramos só nós dois. Mas pelo visto não duraria muito.
Encarei seu “rosto” por alguns segundos e senti aquele chiado aumentando em meu ouvido. Era meu fim. Era o fim para todos.


Acordo.
Me sinto desnorteado, mas me levanto. Algo estranho aconteceu. Está de noite. Estou com a mesma roupa surrada do dia do grande encontro. A marca de sangue está recente, úmida. Não era possível. Toda a minha aventura. Tudo que eu havia me tornado. Foi tudo uma ilusão, uma alucinação da minha cabeça em resposta ao medo e a pancada. Me sentia apenas normal. Um pouco frustrado em pensar que tudo foi tão real, mas também pensar que minha imaginação tinha se superado dessa vez.
Me sento no chão, choro um  pouco de alívio e decido voltar para casa. Vou tirar minha prova agora, decidi mudar minha rota para o Burnhills. Será que Anna existia e se sim, se estava lá? Chego e sou muito bem recebido. Ninguém age como se eu tivesse sido paciente de lá. Pergunto por Anna. Eles dizem que vão me levar até onde ela está. Ela existe, pode ser um bom sinal.
No caminho até o quarto, pergunto sobre ela como um conhecido. Eles comentam que o caso foi a televisão, o caso da garota gênio que havia sido internada por seus pais. Era isso! Eu não tinha criado ela. Em algum ponto do meu subconsciente eu havia armazenado a noticia que tinha sido transmitida pela TV.
Entrei no quarto e a olhei. Era ela mesmo. Encarei-a com um olhar de “se ela soubesse o que passou na minha cabeça”. Ela não abre a boca um momento nem olha para mim. Os enfermeiros não saiam do quarto, como numa escolta. Passei cerca de 5 minutos a olhando e logo eles disseram que o tempo da visita já havia se esgotado. Um deles abriu a porta e pôs a mão sobre meu ombro. Resolvi arriscar.
“Anna, lembra de mim?”
Lentamente sua cabeça se ergueu, um olhar apático me encarou. E tudo realmente era minha imaginação. Me virei de costas e caminhei para fora. Acompanhei o movimento da porta fechando e aquele olhar morto me seguindo. Nos últimos 5cm de porta aberta veio o sinal. Uma rápida piscada de olho, seguida da mordida de lábios que ela sempre me dava quando sabia que eu precisava dela.
Aquilo definitivamente não tinha passado na TV. De qualquer forma precisava voltar para casa. Me apressei em chegar logo e reencontrar minha família. Contar a eles toda a loucura que meus sonhos me deram.
Chego em casa e abro a porta. Chamo por eles mas não houve resposta, acho que saíram.
Chego na sala de jantar para encontrar a pior cena da minha vida.
Toda minha família estava morta. Todos com cortes pelos corpos espalhados. Cada um em sua cadeira de jantar habitual.
Na parede escrito com o sangue havia:


“Agora só falta você ir dormir!”

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

# HOME 13: Loop 2

Eu não sabia ao certo que cara fazer para toda a turma. Realmente a cara que eu tenha feito despertou curiosidade em todos, principalmente no professor. No fim das contas todos tentavam entender o porque da minha reação. Apenas cortei o assunto e fui embora para casa.
Por pior que parecesse a decisão, era a única que eu tinha. Contar a meus pais para onde iria. Minha mãe, nervosa, começou a falar um monte de coisas me fazendo sentir arrependimento instantâneo de ter aberto a boca. Me tranquei no meu quarto. O que eu estava sentindo. Não sei ao certo. Talvez medo de tudo começar de novo. Ter de abandonar minha casa, minha “normalidade”. Talvez medo de ser morto ou ver as pessoas com que me importava sendo machucadas. Ou talvez o pior de tudo, encarar o Slender Man naquele estado vulnerável.
Do nada uma voz surgiu na minha mente: “Não se esqueça, você pode não lembrar do sobrenatural, mas ele ainda existe. E uma vez que você faça parte dele, não há mais saída.”. Espere, eu conhecia essa voz, de longa data. Era a voz de Landaw. Obrigado velha amiga. Agora eu sabia o que tinha que fazer. Fui atrás do professor para uma reunião e lá ele me mostrou a ferramenta do destino. Um sensor que se acoplava a cabeça como uma tiara que ampliava as ondas cerebrais. O objetivo era criar alguma relação mental com animais ou qualquer coisa desse tipo. Era um trabalho experimental e que com certeza daria problema, principalmente se minhas ondas fossem ampliadas. Tratei de avisar ao professor que não podia usar o equipamento devido a um problema de saúde. Ele estranhou mas consentiu, confirmando que ao menos eu estaria na excursão. Confirmei com um gesto de cabeça e logo saí de lá.
Precisava colocar minhas ideias no lugar, armar estratégias de fuga, para salvar o máximo de pessoas que desse. Nossa, aqui estou eu como tudo começou, me sentindo um guerrilheiro numa guerra que minha chance única era perder. Mesmo assim não podia desistir, não agora que sabia que cedo ou tarde essa realidade voltaria para mim. O pior era não poder contar tudo de incrível que eu vivera, ou até mesmo contar tudo que poderia vir a acontecer.
Chegou o dia da excursão.
Minha mente já estava pronta. 2 dias antes só para garantir já tinha treinado meu corpo no esconderijo da floresta, como esperado Night já não estava lá. Mas era o único caminho para mim. Chegamos ao parque e todos estavam empolgados. Eu me esforçava para demonstrar o mesmo, pelo menos externamente. Chegamos a um ponto da floresta em que a copa das árvores fechava 70% da luminosidade do local. Era como um labirinto de arvores com algumas clareiras espalhadas. Andamos e logo lágrimas caíram por minha face.
Era ali.
O pequeno penhasco do terrível primeiro encontro. Um filme passou na minha cabeça. Quando me apercebi o erro havia sido cometido. Os rapazes sem entender, tentaram me animar e fizeram o favor de me segurar e prender um dos sensores a minha cabeça e aumentar a frequência dele ao máximo.
Nada aconteceu, nem um som saiu. Era como se meu corpo não tivesse frequência elétrica nenhuma. Estranho, mas nada aconteceu então já está ótimo. Eles retiraram o sensor e me soltaram. Com certeza não seria agora que o sobrenatural não retornaria a mim! Me aproximei do penhasco e arrisquei um olhar para baixo. Pude ver uma pequena marca de sangue da minha queda.

Estava tudo bem, já havia acabado! Esse era meu pensamento, até o mesmo ser interrompido pela gritaria atrás de mim. Pude me virar a tempo de ver a 60 metros do grupo o homem sem face com seu terno preto.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

# HOME 12: Loop

Assim seguiram minhas primeiras noites. Treinamento intensivo. O garoto chamado Night era bem esforçado e seguia os protocolos, além de aparentar certo nervosismo perto de mim. Embora eu fosse uma pessoa normal agora, tratei de reduzir meu nível para acompanhar o garoto.
E durante os dias minha vida estava passando de algo desconfortável a uma rotina. Acordava cedo para dar uma corrida. Durante o dia procurava algum trabalho local e a noite retornava para ser questionado quanto a minha sanidade mental.
Aos poucos me pegava distante de tudo aquilo que eu fui na SCP. Era só mais uma pessoa comum agora. Meus dias estavam ocupados. Com 1 mês de volta em casa, já havia arrumado um trabalho como biólogo novamente. Havia sido contratado para ser auxiliar de um professor que estava estudando a fisiologia do cérebro humano. O estranho é que esse foi o único trabalho que eu não fui atrás.
Fui apresentado ao professor responsável e ele parecia uma pessoa tranquila. Eu o acompanhava em suas aulas e em estudos de laboratório. Muitos apareceram para absorver meu conhecimento, outros para iniciar uma amizade, estava rodeado de pessoas e ainda assim só. Eu era algo único em meio a todas elas. Ou não? Será que apenas as lembranças ficariam e eu deveria me acostumar aquela rotina. As coisas estavam em tal ponto que logo passei a não aparecer nos treinos noturnos. Passava meu tempo em casa estudando ou até mesmo saindo com a turma de alunos. O engraçado é que antes da SCP eu nem era assim, mas tudo que passei me deu certa confiança para assumir uma personalidade firme.
Certa noite estávamos em um grupo andando pela praça da cidade, quando pude perceber em um ponto cego, Night me encarando. Já estava determinado a ficar com aquela vida, então pedi licença ao pessoal e me dirigi a floresta. Night tentou brigar comigo, me chamando de irresponsável, mas eu já não me considerava parte daquele mundo, então fui dando as costas para ele e saindo.
Ele frustrado e nervoso com a informação que terminaria levando a base, tentou me impedir, puxando a minha camisa. Péssima decisão. Eu podia não ter mais minhas interferências, mas as habilidades permaneciam. Desferi um soco direto em sua face fazendo ele cair ao chão, após tropeçar num galho no chão.
Mandei o garoto sumir da minha frente e por alguns momentos me lembrei como era ser o Master Hunter com a interferência. A cara que o garoto fez lembrou muito a olhar de Guurg no primeiro encontro...
Pedi para que ele fosse embora e ele foi. Retornei ao grupo e despistei minha saída.
Em pouco tempo eu era alguém normal. Minha família estava me tratando bem, tinha meu trabalho e minhas atividades. Em pouco tempo eu era Orion, mais um cara comum. E não era só pelas minhas atividades, mas minha mente também estava mudando.

Alguns meses se passaram e as pesquisas do Professor iam muito bem. Eu já estava bem enturmado e passava meus dias estudando. Até que foi anunciado uma excursão da qual teria que participar. Iríamos visitar uma reserva florestal. A mesma onde tudo havia começado.

sábado, 11 de janeiro de 2014

# HOME 11: A Noite

Casa.
Quanto tempo eu não ouvia essa palavra.
Será que aquele lugar ainda seria minha casa?
Aquelas pessoas ainda seriam minha família?
Quem sou eu agora? O Agente Master Hunter ou um rapaz comum?
Sem muito tempo para pensar, rapidamente minhas malas estavam prontas. Na verdade a mala era a mesma que havia ido comigo até o Hospício Burnhills onde estive internado. Estava intacta. As únicas roupas que eu tinha usado desde que tinha chegado aqui eram umas roupas brancas e meu uniforme de caça.
Perguntei a Dark que estava no quarto qual a desculpa que seria usada para eu voltar para casa. Ele mencionou algo como eu estar reabilitado para a sociedade. Na verdade por mais que eu fizesse perguntas, não conseguia prestar atenção em resposta alguma. Seria aquele meu fim? Uma pessoa comum? Dark tocou meu ombro e fez sinal para que fossemos em direção a entrada da fundação.
Na porta estava Guurg, finalmente eu o via de novo, mas ele não fez recepção positiva para mim. Estava apertando a mão de todos que se encontravam ali e ao chegar nele o aperto foi forte e discretamente acompanhado de um bilhete pequeno escondido. Tratei de jogá-lo rapidamente no bolso e seguir em frente. O próximo era o Diretor, fez uma despedida dramaticamente sarcástica e logo me apontou a porta. O ultimo da fila era Dark. Não tive um mínimo de tempo para criar um vinculo com ele, mas ele parecia me conhecer há anos. Estendi minha mão para ele e fui devolvido com um abraço. Ele rapidamente sussurrou em meu ouvido: “Não se preocupe com nada nesse tempo, a Noite estará de olho em você!”.
E lá ia eu entrando no carro. Voltando ao que um dia eu chamei vida. Hoje me parece mais um castigo. Tentei puxar conversa com o motorista, mas não houve resposta. Decidi dormir um pouco.
Acordei algumas horas depois. Já estava reconhecendo aquele lugar. Era meu bairro. As casas, os rostos, tudo parecia reaparecer em minha mente como um flash. Paramos em frente a minha casa. O motorista mandou descer rápido e assim o fiz. Rapidamente ele deu a volta com o carro e deu uma buzinada antes de dar partida no carro e logo sumir no fim da rua.
Ali estava eu parado diante do lugar que chamei um dia lar, sem ter ideia absoluta do que fazer. Meus pensamentos mais uma vez foram interrompidos pelo grito da minha mãe: “Ele chegou!” ela dizia enquanto me abraçava e chamava as outras pessoas da casa para me receber.
Fomos entrando e havia um lindo jantar para mim me aguardando. Pedi licença antes da refeição para ir ao meu quarto. Coloquei a mala sobre a cama e a abri. Algo estava errado. Por que minha farda de caçador e meus óculos estavam ali se eu não os coloquei? Só podia ser obra do Dark. Talvez um presente, uma lembrança, memória. Meu quarto estava da mesma forma que o havia deixado. De repente estava me sentindo em casa. Ouvi minha mãe chamando para jantar. De repente lembrei que tinha um nome. Para não ser identificado vou usar Orion como meu nome fictício.
Desci, sentei a mesa e começamos a comer. O silencio reinava e a única coisa que podia perceber era a troca de olhares entre meu pai, minha mãe e meu irmão. Do nada começaram as perguntas do gênero: Como foi sua estadia na clinica?
Eles usaram o termo clínica para não quebrar qualquer chance que tivessem de manter algum contato comigo. Minha vontade era dizer tudo que passei na SCP, mas além de entregar um segredo de Estado, estaria garantindo minha volta a Burnhills. Me detive a responder “normal, remédios, gente louca e só.”. Todos se calaram. Terminei minha refeição e disse que iria dar uma volta pela praça e depois voltaria.
Pus uma calça, um casaco e um tênis e logo saí. Fui andando com meu andar de caçador, acelerado, silencioso, e pude perceber olhares para mim. Vamos Orion, pareça normal, pensei. Desacelerei e continuei, sempre com a sensação de estar sendo observado. Cheguei a praça, tinha um pequeno playground e uma floresta. Lembrei que costumava ter um lugar secreto naquela floresta para praticar e condicionar meu corpo. Fui ao tal lugar. Ufa, estava lá ainda e a sensação estava lá também.
Não sabia se era amigo ou inimigo, então arrisquei. Não tinha minha interferência, mas ainda tinha um bom ouvido. Fechei os olhos e ouvi as folhas balançando e batendo. Espere, havia um som que não batia com os outros. Em poucos segundos o som se aproximou na minha lateral. Meu instinto me jogou em um pequeno passo para trás e logo avancei a mão para afastar seja lá o que fosse. Era uma tora de madeira amarrada num galho por uma corda.
Logo ouvi uma voz: “Então você é o Master Hunter, certo?”. Um rapaz jovem saiu de trás de um arbusto e logo se identificou:
“Sou o Night Hunter e estou aqui para fazer sua segurança secreta e dar um treinamento para você não perder seu desempenho.”.

Night Hunter! Noite! Dark Hunter, seu esperto, ainda vou te agradecer por isso ao vivo!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O Paradoxo do Caçador parte final

Não demorou muito o procedimento cirúrgico do Dood, afinal nem precisou de anestesias. No meu caso foi um pouco mais complicado devido a grande perda de sangue. Acordei algum tempo depois e vi uma face familiar próxima a mim. Era Dood, só que parecendo gente desse vez! Ele chegou perto e me agradeceu pelo rim, do seu jeito bem cientifico e em seguida se retirou do quarto. Parei para pensar, na luta com Eyeless Jack em momento algum eu usei a interferência nem nenhuma outra habilidade da doença. Isso era estranho. Aquela habilidade era minha única chance de fazer algo em uma luta e dessa vez nem me lembrei dela.
Meus pensamentos foram interrompidos com a entrada de Dark no quarto. Ele parecia sempre empolgado e com respostas para tudo. Conversamos um pouco sobre algum assunto qualquer, e tudo estava indo até bem demais, até que as luzes vermelhas se acenderam. Algo estava acontecendo. Num impulso rápido me levantei da cama para ver o que estava acontecendo e mais rápido que eu tinha sido Dark em me segurar para não fugir.
Ele falou que eu não devia me esforçar, mas consegui convencê-lo a me levar até a confusão. Qual não foi minha surpresa em achar Dood envolvido no meio dos gritos, ao que me lembro ele parecia tentar abrir algum SCP perigoso. Pedi para falar com ele e em novo tom ele me respondia:
“Dood, que tá acontecendo?” perguntei.
“Calado, agora eu posso fazer tudo que eu quero e vou encerrar essa organização de uma vez, você não tem condições de me impedir!” respondeu prontamente. Aquele era o real Dood.
“Olha aqui, tem um pedaço meu em você e não quero que ele seja envolvido nas suas obras malignas!” Eu sei, a frase foi péssima, mas pra um cara que havia perdido sangue, foi o melhor que saiu.
Por pior que fosse a situação, todos esboçaram um sorriso.
“Parece que você tem um método bem diferente de conseguir as coisas agente Hunter!” Dood respondeu. Ele podia ser o pior de todos, mas sua característica chave era a ética, uma ética de quem a aprendeu da pior forma. “Ok, vamos providenciar sua cura!”.
Ele mencionou algo como Bomba de Radiação Extrema,e como sempre em seguida comecei a desfalecer novamente.
Tive alguns lapsos de lucidez em que pude ouvir frases como:
“Ele não vai aguentar.”
“Chamem o resto da equipe.”
“Perdemos ele...”
Pude abrir meus olhos, ou melhor meu olho. Não sentia metade da minha face, como se ela não estivesse lá. Do outro lado via Dood com um olhar preocupado.
Consegui ler seus lábios e o percebi dizendo algo como: “Tem que ser agora senão não tem mais volta.”.
Queria saber o significado daquilo, mas logo percebi que meu corpo estava amarrado a uma maca que se erguia à vertical me deixando ereto.
A próxima coisa que me lembro eram flashes rápidos e muito claros de luzes coloridas, ruídos, sentia como se fosse explodir de tanta pressão.
Do nada tudo parou e pude voltar a enxergar. Havia uma névoa densa que começou a desaparecer como se estivesse sendo sugada por meus olhos.
Pude ver Dood e ao seu lado o Diretor da SCP com um sorriso de canto de boca.
Dood me fez um gesto para retirar os óculos. Acho que ele não tinha noção do perigo que aquilo representava, mas ainda assim o fiz. Nada aconteceu, eu podia ficar sem os óculos!
Espera aí, eu não sabia como ativar a interferência, ela estava lá e saia quando eu ficava de olhos nus. E o pior é que parecia que isso era o que o Diretor queria.
Passamos alguns minutos falando sobre isso e a sua ultima frase chocou a todos os presentes:
“Então agente, pelo visto você não pode fazer mais sua mágica, portanto não pode atuar em campo. Não me resta muito a fazer.”.

Todos nos entreolhamos por alguns minutos, até que ele com um sorriso desferiu suas palavras finais:

“Arrume suas malas, você está voltando para casa!”.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Paradoxo do Caçador parte 2

Estavamos em frente ao açougue. Hora de seguir adiante e descobrir quem era o tal do Eyeless Jack.
O lugar tinha uma aparência horrível, além do cheiro, e de meia noite tudo tem um ar mais assustador, mas pra quem está trabalhando ao lado de um zumbi, acho que não seria tão difícil.
Resolvemos entrar por uma porta lateral, que estava encostada. O lugar estava totalmente escuro, mas acender qualquer luz nos faria ser percebidos. Falei para Dood ficar quieto enquanto eu vasculhava o lugar. Num açougue onde um maníaco se escondia não seria difícil achar órgãos e realmente não foi.
Confesso que me empolguei quando achei o bendito saco de rins num freezer e disse em voz alta: “Ei presunto, achei teu órgão mágico!”. Não levou mais que 5 segundos para as luzes se acenderem revelando algumas manchas de sangue velho pelo chão e uma figura encapuzada no fim do salão.
Ele deve ter achado a principio que estava lidando com ladrões ou apenas invasores, então já veio avançando em mim com tudo. Sem brincadeiras, aquele foi o adversário mais fácil que enfrentei. Desviar de seus golpes não foi difícil, eu consegui ler seus movimentos e desviar com tranquilidade. Ele devia estar se irritando, então resolvi fazer uma graça pro Dood ver meu potencial.
Lancei um chute em sua barriga e com o outro pé, um chute em seu rosto o arremessando longe. Eu estava me sentindo ótimo, a ponto de não me sentir eu. Acho que podia ser algum efeito da doença. Olhei pra Dood e falei: “ Vamos, escolha quantos rins você vai querer levar!” e comecei a rir. Eyeless entendeu nosso propósito ali e em um movimento que nem eu pude acompanhar ele passou a destruir todos os órgãos que estavam ali. Dood era muito metódico, mas foi ágil em me puxar pra fora do lugar a tempo.
Logo em seguida chamas surgiram no interior e Eyeless desapareceu em meio a fumaça. Todo o trabalho estava perdido.
Dood esbravejou e gritou comigo dizendo que eu acabei com a única chance dele ficar bem, que não iria mais me dar a cura. A discussão durou cerca de meia hora e eu estava me exaltando de forma anormal. Aquilo não era eu, definitivamente.
Eu precisava melhorar, logo. No meio da discussão o sangramento voltou e tivemos que voltar as pressas para a base da SCP. Dark nos recebeu com a expectativa do sucesso. Seu olhar foi quebrado ao ver meu estado. O sangramento tinha passado a sair pela minha boca também. Eu sabia que agora era questão de tempo pra morrer. Onde estava Anna, onde estava Guurg?
No desespero final olhei para Dood e disse: “Dood vamos fazer uma troca! Você me dá a cura depois que estiver novo!”.
Ele sem entender retrucou: “Como vamos ter uma cirurgia sem órgãos, seu gênio...”.
Fiz clara as minhas palavras: “To te devendo um rim e vou pagar com um meu!”.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Paradoxo do Caçador

Não estava no meu melhor estado físico, mas o que vi me deixou em estado de alerta. Pensei que pudesse ser alucinação, mas creio ter visto um zumbi sair de dentro do contêiner. Um zumbi?!?!?!
Ele me olhou e me encarou tentando entender, eu já estava “pronto” para a ação, quando algo me pegou de jeito. Ele disse um oi pra mim. Eu ia voar no pescoço dele quando meu corpo debilitado entendeu a mensagem como um “desmaie”, e lá fui eu pro chão inconsciente.
 Acordei de volta na cama da sala de repouso. Dark Hunter estava do meu lado, perguntei se eu passei muito tempo dormindo e ele mencionou cerca de 1 hora. Ele me disse que tinha um convidado especial na sala de interrogação. Perguntei se o zumbi tinha me atacado e disse que era perigoso deixar essas coisas andando assim na Fundação. Ele me respondeu que o zumbi não era da Fundação e que ele era a surpresa no interrogatório, na verdade ele que tinha me salvo.
Pus uma roupa e fiz questão de eu mesmo ir fazer as perguntas. Desde de minha chegada a SCP já me havia acontecido de tudo, mas um zumbi falante era novidade!
Me dirigi a sala me sentindo um pouco melhor, já pensando no que perguntar.Entrei e o tal zumbi se portava como um cavalheiro, e tinha um sotaque estranho. Se identificou como Dood e parecia muito inteligente. Eu estava chegando nas melhores perguntas a se fazer quando o pior aconteceu.
De forma inconveniente minha doença se manifestou naquele momento e os sangramentos começaram novamente. Dood me olhava atentamente e do nada se levantou, vindo em minhas direção. Claro que por mais consciente que ele fosse, ainda era um zumbi, então logo pulei para trás. Claro que Dood retrucou com um belo “Idiota, não se mova. Eu reconheceria a doença do Slender até morto!”. Ok, ele tinha senso de humor (eu acho). Resolvi ceder. Iria morrer de qualquer forma, então qualquer ajuda era bem vinda!
Perguntei como ele conhecia a doença do Slender e ele me disse que pelo que tinha entendido todos os SCPs dessa dimensão tinham similares na dimensão dele e que o Slender era conhecido por ser uma criatura multidimensional. Que na dimensão dele ele já tinha a cura e tudo para a doença.
Era a minha melhor oportunidade! Disse a ele para preparar aquela cura para mim o mais rápido que pudesse. Ele no mesmo instante negou e disse que tinha vindo aquela dimensão com um único propósito que era achar a cura para sua doença. Eu pensei por um bom tempo, quando me lembrei dos comprimidos Panacea que estavam no meu quarto. Disse a ele que teria uma boa saída para ele, mas só daria se ele me ajudasse. Ele concordou.
Disse que precisava fazer uma avaliação dele antes de qualquer uso dos comprimidos. Precisava confirmar que ele era um zumbi, de preferência do jeito sem sangue. Ao analisarmos seu corpo descobrimos 3 coisas. A primeira era o óbvio, Dood era um zumbi. A segunda é que o vírus dele se comportava diferente do comum, ele agia como morto mas seus órgão não estavam. E a terceira é que seu rim esquerdo estava completamente morto. Ao transformá-lo em humano ele automaticamente morreria pela infecção causada pelo órgão morto. Precisava arranjar um rim para um zumbi. Minha vida realmente estava passando por reviravoltas que eu jamais imaginara.
Disse para ele me esperar um pouco e voltei a meu quarto e logo atrás de mim veio o Dark. Perguntei porque ele estava me ajudando tanto e quem ele era. Ele disse que já usava aquele nome com a intenção de se unir aos Caçadores do Medo, que me admirava e que tinha grande acesso e conhecimento para me ajudar. Ele parecia uma boa pessoa e me deu a resposta ideal! Como eu estava vendo o dedo dele em muitas coisas resolvi deixar ele me ajudar. Ele largou na minha cama um arquivo e disse que não ia ser muito fácil.
Peguei o arquivo e nele havia escrito o nome Eyeless Jack, um ladrão de órgãos. Bom, para a SCP ter o arquivo dele, não deveria ser só aquilo.
Voltei a sala onde Dood estava e disse que tínhamos seu rim! Ele perguntou onde estava e então eu o respondi “Temos que ir pegar, mas nem o dono sabe nem ninguém daqui!” Era uma missão secreta, portanto tínhamos que ser discretos. Estávamos prontos pra partir e na porta Dark nos avisara que já tinha todas as medidas internas sob controle. Passei por ele e larguei um “Bem vindo a equipe, Dark!”.

Após uma longa viagem chegamos ao que seria o esconderijo do eyeless naquele momento. Um açougue velho e fechado. Belo lugar, não? Naquele momento eu faria de tudo para ter minha cura, até mesmo ajudar um zumbi. Meu propósito final era o Slender, acabar com ele! Pena que naquela época meus propósitos eram tão pequenos...

                                                                                                                                                                   

Para conhecer a história de Dood acesse: http://dossiedofelipe.blogspot.com.br/p/paradoxum.html

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pequena nota!

Não sei ao certo quem fez essa grande divulgação do trabalho que faço aqui, mas quero agradecer muito!

E a quem nos visita pela primeira vez, conheçam nossos capítulos mais antigos, permaneçam leitores fieis e aguardem que vem aí mais temporadas do Caçadores do Medo Beta!

att. Master Hunter

terça-feira, 24 de setembro de 2013

# relato 10: Emboscada

Não tive muito tempo para pensar.
Ao me virar só puder ver aquele tentáculo negro vindo em direção a meu rosto. Minha única saída era me jogar da sacada e o fiz. Não era possível, eu li B.O.B. na ficha, mas eu não era cego. Aquele que me atacou era quem eu mais queria ver.
Slender Man, finalmente a hora da minha vingança tinha chegado!
Espere um pouco. Eu ouvi um grunhido. O Slender não produz tal barulho. Até parece que alguém queria que eu estivesse ali e pensasse que fosse outra criatura. Aquele encontro havia sido planejado por alguém, mas nesse momento não importa. Eu estava onde queria.
Cai no chão, mas logo me levantei e corri para dentro da casa, já me deparando com a criatura que estava na sala.
Nos encaramos por alguns segundos. Ela parecia querer entender quem eu era. E eu por minha vez planejava todos os golpes que daria na criatura. Estava tão concentrado nos meus planos que não percebi o sangramento em meu nariz. Lá estava eu novamente enfraquecendo diante de quem não moveu um dedo pra cima de mim.
Estava já perto de desmaiar quando atentei que ainda usava os óculos. Eu achava que não ia conseguir muito mais, então removi o que prendia minha interferência e olhei a criatura na face. Sei que se ele tivesse olhos estaria olhando profundamente nos meus.
Sua atitude mudou, ele agora parecia tentar entender quem era que o olhava exatamente como ele olhava. Ele agia como um animal que é lançado contra uma criatura que o ameaça e se sente ameaçado.
Era minha vez! Aparentemente ao liberar minha interferência senti redução no efeito da interferência do Slender sobre mim. Me permiti um impulso em direção a criatura, corri já cerrando meu punho para dar um soco, quando ele apenas sumiu. Por sorte o que tenha quebrado a porta, espalhou muitos cacos de vidro pelo chão. Ouvi um pedaço se quebrando e me joguei a tempo suficiente de evitar um tentáculo, mas não o suficiente de evitar o segundo, quem me acertou em cheio no ombro me fazendo cair. Tentei levantar mas logo outro tentáculo acertou-me na face quase me desmaiando. Pude sentir o último tentáculo envolver meu pescoço e erguer meu corpo, me sufocando.

Num último suspiro, agarrei sua gravata. Qual não foi minha surpresa em sentir um tentáculo perfurar meu ombro como um tiro certo. O grito que dei foi absurdamente alto, e só naquele momento me lembrei do que aconteceu na época de Landaw. O grito intensificou minha interferência, que o assustou e o fez desaparecer novamente.
Estava lá largado no chão da mansão, sangrando pelo nariz e pelo estrago que havia agora em meu ombro. Foi quando pude ouvir sirenes e pessoas se aproximando. Era uma equipe da Fundação indo me resgatar.

Acordei já no conforto do lar. Uma maca na enfermaria da SCP. Dessa vez nem Anna nem Guurg vieram ao meu encontro. Apenas um grupo de cientistas e a Diretoria. Perguntei o que havia acontecido e o Presidente na minha cara respondeu que eu devia ter pego a ficha de arquivo errada em cima da mesa. O detalhe é que só havia uma única ficha. Algo estava muito errado com essa história, mas até conseguir o que eu queria não iria sair de lá.
Pedi para me mandarem numa missão em caça ao Slender e pela primeira vez eles concordaram. Disseram que não havia interesse em se aproximar do Slender antes, mas devido a uma quebra no equilíbrio, algumas criaturas estavam se comportando estranhamente. Só não tinha condição de fazer nada naquele momento.
A dor que sentia era diferente de uma dor normal. Ela doía num lugar não palpável, como se o medo e o terror pulsassem dentro de mim. Mais resultados de exames chegaram. O diagnóstico foi terrível: o contato direto e prolongado com o Slender fez com que aquela doença piorasse consideravelmente. Nem os comprimidos Panacea (SCP-500) seriam eficazes contra aquilo. Ou seja, no fim das contas eu estava para morrer. Legal isso não?
Já desestimulado com tudo aquilo, decidi me manter na cama e apenas esperar os dias passarem, até algo me acontecer.
O que eu mais estranhava era que todos diziam que Anna e Guurg estavam lá, mas em momento nenhum recebi uma visita deles. Certo dia um jovem que se apresentou a mim como Dark Hunter me deu um livro para passar o tempo, o livro se chamava: Entendendo o funcionamento do SCP-2559. E haviam gatos na capa.
Perguntei a ele que piada era aquela e ele me disse que além de achar que olhar animais fazia as pessoas se sentirem melhor, disse que de onde menos se espera vem a ajuda. Não dei ouvidos.
Alguns dias após estava com sangramentos fortes pela boca e nariz. O lugar onde o tentáculo havia me acertado também minava sangue. Acho que estava perto da minha hora. Pode parecer piada mas peguei o livro e comecei a ler e ver as fotos dos animais. Era isso! Talvez houvesse algo mais nessa dimensão, a minha cura poderia estar lá!
Me arrastei até a máquina para ligá-la tentando não chamar atenção de ninguém. Segui os procedimentos para ligar a máquina que tinha um contêiner onde os objetos eram teleportados. Ao ligar ela fez um barulho muito alto, quase ensurdecedor, gritei de dor nos ouvidos e mais uma vez outra dose de interferência foi liberada afetando o funcionamento da máquina. Eu achei que não era nada demais. Me preparei para ir ao contêiner  quando em cima apareceu a mensagem na tela: Teleporte Concluído!

Me aproximei do contêiner o suficiente para ver sua porta começar a abrir por dentro...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

# relato 9: Só um servo

Já havia se passado uma semana desde o ocorrido.
Não houve um único dia em que meu corpo inteiro não doesse, nem que minha cabeça ficasse formando aquele símbolo em tudo que eu olhava.
O que estava errado comigo. O que eles estavam tentando fazer comigo? O que havia sido aquilo que me arremessara tão longe?

Guurg e Anna vieram me visitar algumas vezes, Anna era melhor em camuflar sentimentos, mas Guurg tinha nítido em sua cara a preocupação. A pessoa que o tinha trazido até aqui, agora estava impossibilitado de o dar acompanhamento.
Um dos médicos da Fundação veio me avisar que eu passaria por uma bateria de exames e me dariam alguma resposta.
Mais dois dias de espera. Dessa vez as dores diminuíram consideravelmente, em compensação meus olhos queimavam.
Os resultados finalmente chegaram.
Realmente eu tinha a habilidade dos proxys , e sua doença também me acompanhava. O fato de ter esforçado meu corpo com uma habilidade de Proxy também tinha agravado momentaneamente os sintomas da doença.
Eu teria que acostumar meu corpo até que esses sintomas reduzam, ou que eu me acostume com eles. Afinal se um esforço de meio segundo me deixou uma semana de cama, nem quero imaginar o que pode me acontecer se eu tentar usar por mais tempo.

No fim eu era só um servo dele. O Slender podia não ter controle sobre minha mente, mas meu corpo estava sujeito a sua doença. Pensando melhor agora, o que eu fiz durante o exercício se compara ao meu primeiro encontro com aquela criatura. O que mais seria eu capaz de fazer igual a ele?
Pra completar acharam mais um inconveniente: a minha interferência era diferente, ela se acumulava no meu corpo e periodicamente eu teria que “libera-la” senão as consequências a meu corpo poderiam ser mortais.
Se eu usasse, ficava passando mal, se eu não usasse poderia até morrer.

Antes que minha cabeça pudesse gerar mais ideias (ou dores) o agente que supervisionava a divisão Caçadores do Medo veio me retirar do quarto pra me enviar a minha próxima missão!
Ainda bem. O ruim dessa missão é que não deixaram o Guurg ir comigo, disseram que essa era solo e que ele estaria atarefado demais. Na verdade nem me deixaram o ver antes de sair. O resumo da missão me foi entregue, mas confesso que a ansiedade em sair daquela cama me fez esquecer de lê-lo.
Fui deixado próximo a uma mansão, muito bonita, próxima a uma floresta. Tratei de me situar logo na varanda do 1º andar. A casa estava sem energia, mas tenho certeza de ter passado por sangue em vários pontos dela.
Quando eu já ia começar a fuçar os arquivos do resumo ouvi um barulho. Era uma porta sendo empurrada, pela altura acho que ela deve ter sido derrubada.
Ouvi então aquele grunhido que penetrou meus ouvidos e mente causando um calafrio. Senti um aperto no peito.
Abri rapidamente o arquivo só para conseguir enxergar o nome B.O.B.

Me virei para trás quando...