segunda-feira, 29 de setembro de 2014

#PROXY 30: É possível amar, quando se é um monstro?

“E então meses se passaram, derrotei escondido de Aika os vilões um a um, deixei ela em segurança e retornei aos Caçadores sem problema algum...”
Ah, eu queria ter acordado meses depois de minha prisão e dizer isso, mas não, tudo comigo precisa de um toque de complicação.
Aika já estava morando comigo há uns dias. Tive que ficar em um hotel de estrada com ela no mesmo quarto. Já faziam dias que eu não dormia. Uma piscada mais demorada e ela estava lá, invadindo minha mente. Os dias pareciam uma eternidade. Ainda que nós conversássemos muito e ríssemos o dia todo, ela estava pronta pra me “ler” a qualquer segundo.
Mais do que ninguém, eu conhecia Aika e sabia do seu lado mais obscuro. O lado de quem sofria calada e não se abria absolutamente com ninguém. Esses últimos dias ela vinha agindo diferente comigo. Mesmo so tendo a mim por dias para conversar, cada vez menos ela falava. Era como se aquele lado negro dela estivesse presente, mesmo comigo vendo aquilo.
Ela no geral não transparecia esse lado para ninguém. Apenas quando estava sozinha, é que esse lado aparecia. Era quando ela demonstrava suas fraquezas. Até comigo ela escondia isso, mesmo eu sabendo da existência desse lado.
Acordei um certo dia com a pior angústia que pude sentir. Era uma sensação tão ruim quanto aquela que senti quando passei pelo simulador da escadaria do SCP-87. Acordei desnorteado, olhei para o lado e vi Aika dormindo. Decidi sair. Ela vai ficar furiosa comigo, mas eu aguento. Preciso de ar, respirar um pouco em paz.
Ainda é cedo. Tomo um banho e ponho uma roupa qualquer. Ligo a televisão para ver o noticiário. Estranhas coisas estavam acontecendo. Mortes outros eventos estavam ficando mais frequentes, mas o pior de tudo é que avaliando estavam vindo de pontos diferentes e se direcionando a minha cidade. Parecia uma grande ironia: Jeff, Slender e os proxys, Mercenário e a SCP, meus quatro piores inimigos, cada um vindo de um ponto diferente em direção a minha cidade. Em um desenho isso formaria o símbolo do Caçadores do Medo. Nesse momento entendi que eu precisava resolver tudo antes que fosse tarde demais.
Quando me toquei, Aika já tinha acordado e estava com uma cara assustada para a televisão. Me olhou e perguntou onde eu pensava em ir. Respondi que só iria andar um pouco. Ela disse que iria comigo, que eu precisaria de escolta com tantos criminosos a solta. Insisti para que ela me deixasse um pouco só, mas ela disse que não era uma opção.
Começamos a andar pelos arredores do hotel, saímos para o parque. Nos divertimos. Em certo momento peguei suas mão e a olhei nos olhos.
“Aika, você viu o noticiário. Uma onda de crimes e situações não comuns estão se aproximando da cidade. Eu sei que você está cumprindo seu dever, mas você sabe que eu estou envolvido com essa situação do Jeff e ele não vai perdoar ninguém que esteja ao meu redor. Por favor saia da cidade agora de manhã ainda. Deixe-me lidar com isso só. Ao menos dessa vez me dê ouvidos. O que vêm aí...” estava falando quando ela me interrompeu colocando o dedo em minha boca, me calando.
Fiquei esperando que ela fosse falar algo, mas o silencio foi minha resposta. Ficamos nos olhando alguns segundos. Me perdi em seu olhar, quando ela pronunciou aquela palavra que me gelou o coração e me fez voltar a realidade.
“MASTER...o que isso significa?” disse ela com cara de dúvida e curiosidade.
Não me contive e explodi com ela. Disse que ela não podia ficar vasculhando minha mente daquela forma. Aquilo já tinha passado do limite e estourado minha paciência. Que ela já estava se tornando uma pessoa paranoica e que não aguentava mais passar um segundo ao lado dela.
Descontei meu nervosismo, sem querer, nela. Ela travou. Retirou as mãos de cima das minhas, pegou sua bolsa e saiu. Não fiz força de ir atrás dela. Queria muito aproveitar a brecha e voltar a base, mas poderia estar sendo observado.
Voltei ao hotel. Fiquei até o anoitecer. Resolvi sair do quarto. Era hora de enfrentar algum dos perigos.
Após muito rodar pelas florestas, começou a chover fortemente. Cheguei a uma casa abandonada. Logo entrei de forma silenciosa e fui vasculhando o ambiente. Logo me deparo um um barulho no andar de cima. Quando começo a correr vejo alguém se lançando pela janela do 1° andar para fora da casa e tentar correr. Com um pouco de Slender Walking rapidamente derrubei quem fosse no chão. Quando olhei, era Aika, chorando e me esmurrando para que a soltasse. Eu estava vendo ela no seu estado mais vulnerável. Do nada um forte trovão soa muito próximo a nós. Com o susto nossas habilidades foram ativadas ao mesmo tempo. Do nada consegui ler a mente dela e vi algo que era pior que ter que enfrentar 4 grupos diferentes de vilões.

Aika estava apaixonada por mim...

#PROXY 29: Aika, a leitora de mentes

Aika não era uma pessoa qualquer. Quando pequenos e estávamos brincando ela sempre sabia onde eu estava. Sempre adivinhava qual número eu pensava, sabia minhas próximas jogadas. Eu sabia que ela sabia tudo que eu iria fazer e de certa forma aprendi a bloquear ela. Sempre que eu via que ela se concentrando para me “ler”, eu só precisava pensar em uma parede, nuvem, escuridão, qualquer coisa que criasse uma barreira para o que ela queria.
Ela havia mudado muito, mas aqueles olhos eu conhecia de longe. Por mais que eu tivesse me concentrado em não esboçar mais surpresa que minha cara já entregava, ela não fez questão de esconder a surpresa.
“Orion? É você? Oh my God, quanto tempo!” disse ela esquecendo a situação em que estávamos por alguns instantes. Após isso ela se recompôs e retornou a seriedade.
Acenei com as mãos algemadas e uma cara de vergonha pela forma como estava. Aparentemente, Aika tinha grande influencia na polícia e logo ordenou que as algemas fossem retiradas e que eu a acompanhasse até sua sala.
Lá ela perguntou como eu tinha ido parar lá. Envergonhado expliquei tudo que havia acontecido. Das mortes, do Jeff. Acima de tudo não podia falar para ela sobre o Slender, os proxys e o Caçadores do Medo. Ela me ouvia e logo percebi aquela cara de quem ia tentar ler minha mente. Logo pensei numa parede. Fiquei em silencio olhando para a cara dela até ela desistir.
Ela riu, disse que não era tão ruim quanto antigamente, me parabenizou por lembrar como bloqueá-la e logo ficando séria perguntou o significado de um circulo com quatro setas apontadas para dentro. Como? Ela conseguiu ver o símbolo do Caçadores. Ela realmente estava mais forte. Disse a ela que não tentasse ir adiante daquele símbolo e que confiasse em mim ao menos quanto a isso. Aparentemente só agucei a vontade dela de ir a diante. Como uma investigadora profissional ela disse que daquele momento em diante estaria 24 horas do dia colada em mim.
Isso significava que eu teria que a vigiar o tempo todo e não poderia retornar a base nem tão cedo. Por outro lado, também teria que a proteger de tudo que fosse me perseguir nesses dias.
Eu estava cada vez mais encurralado nessa dimensão...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

#PROXY 28: Burnhills, tão perto, tão longe

Night me olhou desconfiado e logo saiu de perto. Dark de longe já fazia ideia do que vinha. Ela acordou e logo foi apresentada aos outros da equipe. Night desde que soube do parentesco adotava uma postura quase militar quando eu estava por perto. Acho que foram aproximadamente 5 dias de relaxamento. Conversávamos como se já nos conhecêssemos anos atrás. Éramos pessoas normais. Red estava sempre conversando com Night e o mesmo parecia uma estátua. Eu e Dark riamos muito dessas cenas. Num momento de descontração lembrei-me de perguntar a Dark, qual hospício eles tinham visitado. Dark parou em seriedade e me olhou. Ele em tom de quem havia cometido um erro terrível me falou. O hospício que eles haviam estado era o BurnHills.
Num salto da cadeira, olhei para ele assustado. Na verdade estava tão surpreso e assustado que terminei soltando uma pequena carga de interferência. Red segurou minha mão e logo me recompus. Lá estavam Anna e Landaw. Precisava salvá-las. Quando anunciei minha ida ao hospício, todos se animaram. Levantaram-se e foram arrumar seus equipamentos, mas logo gritei. Todos me olharam sem entender. Com calma então disse que eu iria só. Além de Mercenário e Jeff, a SCP poderia estar lá. Era uma missão de um homem só. Passei por Dark e falei em seu ouvido para ficar de olho nas noticias, para saber se algo seria externado. Passei por Red e depositei um beijo em sua testa. Prometi que voltaria logo. Passei por Night e o abracei. Com ele próximo falei para cuidar de Red. Ele novamente corou mas respondeu com um “Sim Senhor!”.
Logo saí da base. Em algumas horas estava me aproximando do terreno do Burnhills. Precisava ser discreto. Passei algumas horas observando o movimento até o anoitecer. Decidi que era a hora de entrar. Sutilmente me aproximei do portão. Já estava pronto para pulá-lo quando aquelas luzes se acenderam em minha direção. Uma voz num megafone mandava eu me render. Se eu agisse agora seria pior. Levantei os braços e ajoelhei. Logo fui empurrado para uma viatura e levado para algum lugar. Por estar vendado, não consegui identificar onde estava exatamente, mas parecia  uma sala de interrogatório. Logo um senhor entrou na sala e me olhou.
“Como você não quer ser encarado como assassino de sua família, se fugiu desse jeito?” disse o detetive.
Nesse momento me recordei que eu estava sob observação, quando lutei com Jeff e acabei me unindo aos proxys. Nesse momento a porta da sala se abriu. Quando aquela pessoa entrou, ficou tão assustada e surpresa quanto eu.

“Orion, é você mesmo?” disse Aika, minha melhor amiga desde que era pequeno e uma pessoa que eu tinha que ter todo cuidado do mundo para não descobrir a verdade.

#PROXY 27: Retorno ao cativeiro

Após sofrer forte efeito daquela interferência, desmaiei. Lembro-me de acordar no mesmo lugar com um bilhete ao meu lado. Nele havia escrito “este é o começo do jogo...”.
Levantei e logo saí daquela construção. Rapidamente achei o caminho de volta para a base. Chegando lá encontrei uma cena inesperada. Night e Dark estavam arrumando equipamento e fardamento para sair. Perguntei por Guurg e a resposta que tive foi terrível. Ele havia deixado o grupo. Aparentemente sua obsessão em caçar o Jeff e toda a situação do meu desaparecimento o fez se revoltar. Éramos apenas três naquele momento. Perguntei o que era tudo aquilo.
Night com um sorriso no rosto disse: “Temos uma grande pista sobre os assaltos aos hospícios. Acho que podemos impedir o próximo!”.
Sem perder muito tempo mandei que fossem indo, que tinha outras coisas pra resolver. Assim que saíram, preparei minha farda e me dirigi ao hospital onde os proxys se escondiam. Era a hora de resgatar minha irmã!
Rapidamente me infiltrei no terreno, mas fiz questão de me posicionar em frente a construção. Não demorou muito para que os proxys aparecessem. Todos eles. Em minha frente estavam Distort, Run, Sick e os Holloweds. De fundo podia ver Red próxima a porta. Ela estava sentada no chão, mas ao me ver logo levantou. Distort tomou a frente e se aproximando perguntou o que eu queria fazendo ali depois de tudo. Tentei explicar que estava sobre controle do poder e não me controlava. Ele riu. Disse que aquela tinha sido a pior desculpa para trair o grupo.
Sem muita cerimônia todos vieram me atacar e eu não pude deixar de revidar. A luta foi intensa e por alguns instantes eu estava indo bem. Red viu minha situação e tentou entrar na luta. Foi nesse momento que o pior aconteceu. Ouvimos Red gritar. Automaticamente paramos a luta e olhamos para a entrada do hospital. Mercenário estava segurando Red pelo pescoço e a jogou na grama. Logo anunciou que iria matar a todos naquele lugar. Enquanto os proxys mesmo sem entender quem era aquele avançavam com tudo nele, corri e peguei Red nos braços e sai correndo dali.

O cansaço me deixou mais lento, mas saber que parte dos meus problemas acabariam com aquilo me deram força pra continuar. Logo cheguei na base. Os outros haviam acabado de chegar também. Estranharam quando deitei um corpo sobre a mesa. Logo tratei de tirar seu capuz e remover sua máscara. Night se aproximou e corou ao olhar ela. Ele olhou para ela e involuntariamente disse: “Ela é linda!”. Sem perder muito tempo, completei: “e é minha irmã...”.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

# PROXY 26: Mercenário

Pensei em esmurrar a porta, gritar ou até questionar, mas logo percebi que quem tinha me colocado ali tinha sido Dark. Da última vez que ele me deu um livro pra ler ou mandou fazer algo, terminou por salvar minha vida. Querendo ou não eu tinha passado tempo demais com os proxys e tinha me esquecido que enquanto isso acontecia, mais hospícios foram invadidos e mais elementos foram coletados dos Holders para invocar Ele. O melhor a fazer era ler o livro e resolver minha vida.
O pior de tudo é que eu era claustrofóbico, então naturalmente não me sentia nem um pouco confortável naquela sala, o que dificultaria qualquer concentração. Ainda assim era necessário focar e fazer os procedimentos.
Comecei a ler o livro, aparentemente o que Dark queria que eu fizesse era criar uma cópia minha usando a força da minha mente. Ainda não via onde aquilo resolveria meu problema, mas dei inicio. Criei um amigo (ou inimigo) imaginário e o chamei de Mercenário. Conversei com ele sem muita esperança durante o primeiro dia. Minha conversa consistia em dizer que mesmo sendo criação minha eu já o odiava por tudo que ele carregaria de mim.
O segundo dia tinha chegado, havia dormido com o livro sob minha cabeça. Sem um espelho pra me ver, apenas o tato me guiava. Passei a mão em meu rosto e o senti da mesma forma. Sem boca, sem olho, sem avanço. Nesse dia li mais alguns passos do livro e voltei a conversar com Mercenário. A agonia em saber que o tempo estava passando e nada se resolvia não deixaram o dia ser muito produtivo. Ainda assim persisti para não perder o dia. Periodicamente bolsas de soro eram deixadas próximas a porta da sala, já que não poderia me alimentar normalmente.
O terceiro dia iniciou-se com gritaria. Não sabia o que havia acontecido, mas também não poderia deixar me influenciar. Esse dia passou rápido, mas foi proveitoso. Conversei com Mercenário o dia todo. Fiz uma experiência que deu certo. Coloquei o livro em minha frente e pedi para ele mover o livro de lugar. Foram só 2cm mas valeram todo o esforço até agora. Eu tinha chances. Parabenizei ele e fui dormir.
O quarto e o quinto dia foram cruciais. Coloquei o abajur no centro da sala e em frente a ele o livro. Pedi imaginariamente que Mercenário sentasse do outro lado da sala. Conversamos bastante. No inicio eu criava as perguntas e respostas. Nesses dias as respostas vinham direto aos meus ouvidos. No quarto dia pude ver apenas uma mancha sendo formada ao fundo da sala, enquanto que no quinto já era possível ver uma forma humana, mas indefinida.
No sexto dia foi mais calmo. O abajur era como uma linha divisória entre nós dois. Nenhum dos dois cruzava a linha. Na verdade nenhum dos dois desgrudava de sua parede. Eu sabia que alguém estava lá, sua forma era perfeita, mas não conseguia distinguir quem era ou como era.
O sétimo dia começou de forma crítica. Abri o olho a tempo apenas de ver um vulto se lançando sobre mim e outro atingindo-o fortemente. Assustado levantei e vi Dark ao meu lado. Ele rapidamente falou: “Vamos Master, última parte. Direcione um pensamento firme sobre se livrar de tudo que ficou de ruim em seu corpo para ele e lance uma interferência. Rápido, ele já está consciente!”.
O Doppelganger tinha minha forma como Proxy, as roupas, casaco, máscara. Hora de dar a ele o ponto final. Respirei fundo e lancei com toda a concentração que meu corpo permitia a interferência em Mercenário. Ele rapidamente se debateu e caiu. Um forte queimor se espalhou forte sobre todo meu corpo. Cai ao chão e gritei forte. Exatamente, gritei. Naquele momento percebi que eu estava de volta. Tinha minha boca, meus dois olhos e não sentia mais aquele peso sobre minha cabeça.
Pude levantar com a ajuda de Dark. Sem perder muito tempo fui puxado para fora da sala. “Vamos a um lugar especial!” disse Dark com cara de quem armava algo. Fui levado a uma construção abandonada para mais um experimento. Dark começou a gravar e então do outro lado da câmera pediu para que eu lançasse a interferência. Tentei por várias vezes e apenas uma fraca carga saía. Dark me olhou nos olhos e me mostrou que nem dos óculos eu precisava mais. Estava tudo bem. Era só direcionar e liberar. Respirei fundo e olhei para a câmera. Liberei uma carga com força fraca, mas bem melhor que as tentativas anteriores. Dark sorriu. A interferência tinha funcionado perfeitamente.
Levantamos e apertamos as mãos.
“Devemos contar aos outros sobre isso?” perguntei.
“Não, não agora.” Respondeu Dark, em tom mais sério, “Vamos nessa!”.
“Vamos salvar o mundo!” disse a ele quebrando a tensão.
Ele saiu andando na frente. Fiquei para trás quando senti aquela sensação familiar, o efeito da distorção. Ouvi um barulho e tentei levantar, mas a carga da interferência aumentou. Das sombras daquela sala saiu quem eu menos esperava.
Mercenário surgiu e calmamente andou em minha direção.Ele começou a tirar o capuz e em seguida a máscara. O que vi, mesmo com a visão turva era muito mais perturbador que o fim do mundo.

Mercenário tinha exatamente meu rosto.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

# PROXY 25: Hora da leitura

Eles olhavam atonitos para mim. Não sabiam como reagir. Precisei escrever o que estava acontecendo comigo. Estava perdendo o controle e poderia ser um perigo para todos. Salvar o mundo era responsabilidade deles agora.
Um clima pesado pairava sobre a sala. Night não perdeu muito tempo e perguntou se havia jeito de resolver aquilo. Dark logo se pronunciou:
“Me deem algum tempo para pesquisar. Tenho certeza que há algo a ser feito!” disse ele tentando parecer animado, mas transparecendo todo o nervosismo.
Night era muito focado no trabalho, demais até. Sem uma figura de líder ele parecia perdido. Nada mais podia fazer. Não poderia deixar um monstro liderar os heróis.
Escrevi num papel “Acabou, não tem mais caçadores, mais nada. Cada um lute por sua vida. Não posso mais.” Ele mal pegou o papel e já desferiu um soco em meu rosto. Cai no chão, mas não reagi, apenas deixei ele continuar. Ele bateu até ficar sem forças e em seguida caiu de joelhos em minha frente. Olhei para ele e sua feição era de desespero. Seu olhar era de quem não tinha mais pra onde correr. Como se continuar vivo dependesse daquilo. Ele me segurou pela gola do casaco e disse: “Não ouse desistir de tudo, você não pode.”.
Nesse momento Dark já estava de volta na sala e puxou Night e o direcionou a uma cadeira. Em seguida falou algo no meu ouvido que me deixou animado. Havia sim uma chance de sobreviver, mas seria arriscada e extremamente perigosa.
Ainda assim, lembrei de Red. Precisava voltar e além de me desculpar com ela, trazer ela para a equipe. Como ser eu de novo?
Dark me levou para uma sala onde jogou um livro no chão e disse: “É bom você aprender isso em uma semana. Não nos resta muito tempo!”. Após isso ele trancou a sala e apagou a luz principal, deixando apenas um abajur no canto da sala.
Corri rapidamente e acendi o abajur. Me deparei com o título:

“Criando seu próprio Doppelganger: Guia completo”.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

# PROXY 24: Imagem de um líder derrotado

Eu tinha passado de convidado para prisioneiro dos proxys. Algumas semanas haviam se passado e eu não via mais a luz do dia. Era mantido todo amarrado e num quarto no subsolo trancado. Nem Red me visitava mais. Cada dia o desespero e a agonia me tomavam mais. Era hora de agir. Pude ouvir a porta abrindo, era hora da minha surra diária. Não dessa vez, eu precisava fazer algo. Todos os dias eu tentava me levantar e daí começava a apanhar. Nesse dia eu apenas fiquei largado no chão aparentando estar desmaiado. Os proxys entraram e ainda me chamaram pra ver se eu só estava dormindo. Se aproximaram lentamente e me deixei chutar algumas vezes sem reagir.
Estranhando minha reação e temendo que eu pudesse estar morrendo, me tiraram do quarto. Em cima de uma maca só esperando a hora certa fiquei “apagado”. Nesse momento o Slender aparentemente apareceu e os proxys foram receber a missão. Nessa hora me esforcei ao máximo e fugi do hospital. Inicialmente não sabia pra onde exatamente ir então apenas corri. Não demorou muito para que eu cansasse e parasse um pouco. Tempo esse suficiente para ser atingido na cabeça e desmaiar.
Acordei com fortes luzes apontadas para mim. Vozes conversavam enquanto eu me acostumava a visão normal. Quando consegui abrir o olho por completo as vozes cessaram. Pude ver 3 pessoas diante de mim. Com mais atenção percebi que eram Night, Dark e Guurg. Eu não devia nem podia estar ali. Pude perceber mudança nos padrões da equipe. Dark continuava o mesmo, muito observador e astuto. Guurg aparentemente estava mais explosivo e nervoso. Já Night embora o mais novo havia assumido uma postura de liderança com os outros. Eles me olhavam atentamente esperando algo. Infelizmente sem boca não era possível falar nada. Eles começaram um interrogatório falho. Estavam nervosos pelo fato de eu só ter um olho e não falar nada. A máscara piorava tudo, afinal não era possível saber quem ou o que estava por trás dela, nem sua expressão. Guurg impaciente apenas disse que não dava pra ele e saiu para relaxar. Dark recuou um pouco e sentou-se atrás de uma pilha de livros onde começou suas pesquisas. Night se aproximou e perguntou pelo símbolo na testa da máscara, se eu sabia o que significava, balancei a cabeça afirmando. Perguntou se eu conhecia um homem chamado Master Hunter e novamente balancei afirmativamente. Ele então desferiu um soco tão forte que derrubou até a cadeira onde eu estava preso. Ao fundo Dark apenas riu. Ele perguntou incessantemente onde Master estava, como chegar nele, se estava bem, se eu sabia como libertá-lo. Não tinha um gesto de cabeça para todas aquelas perguntas então apenas fiquei o observando, cansado. Cansado de estar vivo.
Naquele momento eu percebi como minha presença era essencial para o funcionamento do grupo. Night se afastou um pouco com a mão na testa, parecendo nervoso e pensativo. Tentei me levantar rapidamente. Eles não podiam me ver daquele jeito. Infelizmente não fui rápido o suficiente e logo fui atingido por Night, que em fúria disse que já havia passado da hora de saber quem eu era. Com a ajuda de Dark tiraram o capuz e sem muita cerimônia arrancaram a máscara.
Logo se afastaram e sem palavras apenas ficaram alguns segundos olhando. Ali estava quem eles tanto procuravam, em um estado deplorável. Nervoso Night olhou-me nos olhos e perguntou: “M- M- Master?”, sem jeito ergui o olho e balancei a cabeça como sempre fazia para os cumprimentar. Sem parecer acreditar eles começaram a rir. Ambos gritaram “Chefe!” e vieram me soltar.
Sem muita cerimônia peguei um pedaço de papel e escrevi tudo que tinha me ocorrido.
Minhas instruções para eles foram extremamente simples.

“ME MATEM”

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

# PROXY 23: Sempre um novo problema

Red ficou espantada com o que havia acabado de ler. Me encarou por alguns minutos e perguntou o porque de eu estar então contra minha própria equipe. Anotando num papel expliquei a ela que estava sem meus poderes quando os Proxys me resgataram e que eu precisava daquele tempo para reestabelecer minha habilidade e voltar aos Caçadores.
Ela me olhava tentando entender o que tudo aquilo significava enquanto eu escrevia mais. Lembro que minha ultima anotação a fez largar o papel.
Na anotação eu mencionava os roubos aos hospícios, os Holders e o que poderia acontecer ao mundo.
Ela me segurou o rosto e falou: “Não me importa pra onde essa loucura vai te levar ou o que vai acontecer, eu não vou abandonar minha única família por nada!”.
Olhar para ela me fazia me perguntar o que havia acontecido com ela todos aqueles anos de distancia e ao mesmo tempo me trazia uma nova motivação para viver. Falando em viver, meu corpo me incomodava. A ausência de um olho e minha boca me faziam me assustar com meu novo eu, e me faziam  passar mais tempo com a máscara, mesmo quando só. Para completar minhas costas tinham duas queimaduras circulares da largura de um cano de pequeno calibre, no exato lugar onde eu tinha visto os tentáculos. Ou eu estava me tornando a pessoa mais forte do mundo ou a pessoa mais miserável de todas.
Algumas semanas se passaram e eu continuava a treinar arduamente. Tinha aumentado a carga do treino. Passava cerca de 1 hora isolado com minhas habilidades e estava já com certo controle sobre elas. Pela minha ação no dia da batalha os outros proxys já tinham mais confiança em mim. Uma única coisa me preocupava: Certa hora todas as noites muito sono me tomava e eu rapidamente dormia, e sempre acordava num cômodo diferente do hospital. Perguntei a Red, mas ela não havia percebido nada.
Certa noite algo mais que inesperado aconteceu: Alguns jovens se dirigiram ao hospital para caçar assombrações e gravar vídeos de terror. Os holloweds não estavam naquele dia. Run, Sick e Distort haviam percebido a presença dos jovens chegando. Na verdade não foi muito difícil com todas aquelas lanternas e gritaria. Precisava agora impedir que eles fizessem algo contra os jovens. Escrevi para Red filmar todos os meus passos a distancia e então fui atrás dos outros que já estavam se posicionando para atacar os visitantes. Os momentos seguintes foram muito rápidos para descrever com detalhes, mas a única coisa que me lembro é de ver alguns jovens entrando no hospital e eu avançando neles tentando os assustar para que fugissem e em seguida apagando.
Fui acordado com tapas na cara por Red. Ela estava chorando. O que havia acontecido? Ela não parava de falar: “Por que você fez isso? Por que?”. Fui procurar minha caneta e papel para tentar entender a situação, mas ela me acertou um chute na cara. Naquele momento percebi que minhas mãos estavam atadas. Ela não me deu muito tempo para pensar e me mostrou a gravação do ocorrido.
Aparecia o momento em que eu tentava assustar os jovens e em seguida cai no chão. Os jovens me cercavam se perguntando o que era aquilo. Rapidamente os outros proxys apareceram e cercaram os jovens, quando começaram a usar suas habilidades meu corpo se ergueu por trás deles e rapidamente com uma das lanternas eu avançava direcionando a luz nos olhos dos proxys e em seguida destruindo qualquer fonte de luz tornando tudo em escuridão. Em seguida o gravador foi transferido para o modo noturno, tornando visível todos novamente. Só me via atacando a todos, tanto os jovens, quanto os proxys. O fim da gravação mostrava os jovens indo embora, segurando alguns nos braços ou nas costas. Quanto aos proxys estavam bem machucados, todos desmaiados no chão. Rapidamente o gravador começa a ter uma interferência e a ultima cena sou eu aparecendo do nada em frente a Red e o gravador desligando.
Ela rapidamente levantou a manga do seu casaco revelando o machucado em seu braço. Ela disse que eu tinha feito aquilo segundos antes de apagar novamente.
Novo problema, eu não tinha mais controle sobre mim.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

# PROXY 22: Meu presente x Meu passado e futuro

Não tive reação naquele momento.
Eu tinha ouvido certo?
Caçadores estavam vindo? Isso me fez associar ao que Sick tinha dito antes sobre só ter precisado derrubar 3.
Agora estava num dilema, salvar minha equipe, ou permanecer nesse grupo até ter forças para voltar a meu posto.
Não tive também muito tempo para pensar, já que o Slender apareceu atrás de mim, e num lance de 2 segundos, passei a ver meu corpo se movendo sem meu controle. Em poucos minutos todos estávamos pulando os muros do velho hospital e atacando Dark, Night e Guurg. Vendo por outro ângulo eu desconhecia minha própria equipe, eles estavam bem organizados quanto ao ataque, mas certo abatimento em suas faces.
Embora fossemos 5 contra 3,a batalha foi bem equilibrada. Inicialmente fiquei parado só observando. Guurg rapidamente avançou contra Sick e estranhamente não houve troca de habilidades especiais, só ficaram se socando.
Dark de forma diferente puxou Run e Distort para a luta, dessa vez ele estava armado de uma pistola e uma faca, seus movimentos eram certeiros e logo Distort tinha uma bela ferida na perna obrigando Run a tirá-lo de cena.
Espere, estava faltando alguém. Onde estavam Red e Night. Corri para o campo de trás e cheguei a tempo de ver Night derrubar minha irmã no chão e preparar seu pé para um golpe certeiro. Era minha hora de agir. Lancei meu corpo em sua direção e rapidamente o alcancei antes mesmo dele terminar de levantar. Acertei-o em cheio atirando seu corpo longe. Levantei Red, que assustada me abraçou. Rapidamente Night estava de volta acertando um soco nas minhas costas me derrubando, e pegando Red pelo pescoço, a atirou contra uma parede. Assim que caiu, seu capuz saiu da cabeça, revelando sua grande mecha vermelha. Night se espantou com o que viu e se distraiu. Algo estranho aconteceu. Acertei Night, mas sem usar as mãos. Era como se os tentáculos do Slender tivessem saído de mim. Olhei no reflexo de uma janela próximo e vi algo terrível. Tinham 6 sombras em forma de tentáculos saindo de minhas costas e rapidamente desapareceram. Night olhou para mim e desta vez reconheceu a marca em minha máscara. Os outros já o haviam alcançado e o levaram, mas seu olhar tinha entendido tudo.
Sem muito alarde corri até Red e a ajudei a se recompor. Os outros chegaram e perguntaram para que lado eles tinham fugido. Red em fúria ia falar, quando rapidamente apontei uma direção oposta a deles. Eles correram rápido, enquanto Red me olhava confusa e furiosa.
“Por que você mostrou a direção errada a eles? Os caras tentaram nos matar!”
Tirei minha máscara e ela viu que eu não seria capaz de falar nada.
Corremos para dentro do hospital e num pedaço de papel escrevi para ela, explicando:
“Eles não podem morrer.”
Ela em fúria perguntou o por que já impaciente, e pelo visto minha resposta a deixou mais confusa que antes. No papel havia escrito:

“Eu sou o líder dos Caçadores.”

domingo, 20 de julho de 2014

# PROXY 21: Master Slender?

Finalmente amanheceu, hora de levantar.
Red ainda estava apoiada em meu peito, provavelmente ela se moveu a noite e isso deslocou um pouco seu capuz e finalmente pude entender o porque dela querer ser chamada de Red. Ela possuía uma grande mecha vermelha em sua franja. Um vermelho vivo que chamava a atenção.
Delicadamente acordei-a e ela meio assustada já se levantou e se ajeitou. Ela me olhou e falou para não comentar do que tinha visto. Logo em seguida Sick apareceu na porta e antes que falasse algo Red disse que tinha ido apenas ver como eu estava. Sem parecer se importar muito ele falou que era hora do treino, pois era provável que hoje tivesse missão e que eu iria.
Meu treino começou com Run. Ainda não tinha identificado onde exatamente se localizava aquele velho hospital, mas possuía uma grande área livre ao seu redor. Começamos caminhando, depois trotando, por fim correndo. Run olhou para mim e fez um sinal de tchau. Subitamente o cara que estava ao meu lado se distanciou em pouco menos de 10 segundos em mais de 100 metros a minha frente. Era minha vez de acelerar. Me concentrei e comecei a acelerar, nenhum resultado. Comecei a forçar meu corpo ao ponto de começar a tropeçar. De repente começou, Run passou a correr em câmera lenta, tudo ao meu redor estava em câmera lenta, logo eu o passei, umas duas voltas enquanto ele chegava na metade de uma. Daí meu corpo não aguentou e me atirou ao chão.
Todos se espantaram com o que eu tinha feito, mas tentaram não demonstrar. A segunda parte do treino foi com Red. Ela por alguma razão pediu privacidade no treino e me levou para um ponto sem os outros. Lá começamos o treino físico. Ela parecia delicada, mas batia pior que o Jeff. Sentia que com ela teria mais abertura para falar e comecei: “Porque todos usam mascaras mesmo entre nós? Inclusive nos treinos, afinal sem máscara machuca mais, não?”.
Ela aparentemente se irritou e intensificou seus golpes. Um destes, um chute, me pegou em cheio no diafragma me lançando ao chão, logo depois se abaixou perto de mim, retirou minha máscara, olhou atentamente na minha face e me deu um tapa na cara. Em seguida disse: “E agora machucou mais? Ta horrível sua cara, devia ter cuidado disso.”.
Ela se sentou no chão ao meu lado e começou a retirar sua máscara. Aquilo me assustou de uma forma pior do que se ela tivesse a cara toda arrebentada. A Red, aquela garota era minha irmã que havia desaparecido quando tinha 5 anos. Ela havia mudado consideravelmente, mas ainda assim eu sabia que era ela e ela sabia quem eu era. Fiquei paralisado, sem conseguir esboçar reação. Pelo menos até o momento em que ela me olhou e falou: “Oi maninho!” de uma forma meio sem graça. Não aguentei e a abracei com todas as minhas forças. Ela não demorou muito a se juntar ao abraço e assim ficamos por um bom tempo. Aquele abraço valeu tudo que eu tinha apanhado. Depois disso colocamos nossas mascaras e voltamos.
O último treino foi o pior. Foi uma simulação da morte.
Distort de um lado gerando interferência e Sick do outro lançando sua habilidade. Nem preciso falar que em menos de 5 segundos eu já estava no chão. Ainda assim eles me levantavam e começavam tudo de novo, cada vez mais intensificando seus poderes. Com aproximadamente 1 hora de “treino”, minhas mãos foram presas em uma espécie de algema no teto para que eu ficasse em pé de qualquer jeito. Nesse momento os dois soltaram suas habilidades em potencia máxima. A agonia e a dor eram insuportáveis ao ponto de sentir a morte chegando. Não tinha como cair então fiz o melhor que pude para apenas me manter acordado. Sentia meu sangue escorrendo pelo nariz e já saindo pela boca por dentro da mascara e aquilo foi me causando uma sensação terrível. Me esforcei para me concentrar, embora fosse extremamente difícil.
Num lapso de menos de 1 segundo, senti aquela onda saindo de dentro de mim como nunca antes. Respirei fundo e gritei, liberando uma carga de interferência que causou sangramento nasal nos 2, que rapidamente se assustaram e caíram sentados no chão sem entender.
Tentei gritar novamente, mas algo estranho aconteceu de novo. Um queimor passava pela minha face e não conseguia falar, nem mesmo abrir a boca.
Novamente corri para a sala do espelho e tirei a máscara. Agora meu olho e minha boca tinham desaparecido. Eu cada dia mais via o Slender em mim.

Rapidamente voltei a sala quando fui chamado. Novamente o Slender Man tinha estado lá para passar uma missão. Já era de noite quando Distort anunciou o objetivo:

“Pessoal, na nossa ultima missão atacamos um trio, mas eles aparentemente foram mais espertos que nós e de alguma forma nos localizaram. Preparem-se para a luta. Temos alguns Caçadores chegando...”